Autoridades lamentam morte de Beto; Bolsonaro ignora


João Alberto Silveira Freitas (Foto: Reprodução)

Neste sábado (21), o corpo de João Alberto Silveira Freitas, homem negro morto por dois seguranças brancos de uma loja do supermercado Carrefour na noite da quinta-feira (19), foi velado e sepultado em um cemitério da capital gaúcha.

Autoridades se manifestaram sobre o crime brutal. A ministra da Mulher e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou que as imagens do espancamento são "chocantes" e causam "indignação e revolta". O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou em redes sociais que "a cultura do ódio e do racismo deve ser combatida na origem". O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Fux, também lamentou o fato.

Já o vice-presidente Hamilton Mourão lamentou o ocorrido, mas afirmou que "não existe racismo no Brasil" e ainda se referiu que "isso é uma coisa que querem importar [para o Brasil]". O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não deu declarações citando diretamente a morte de Freitas, nenhuma palavra foi dirigida à família, mas foi na mesma linha conspiratória de Mourão e criticou nas redes sociais em uma série de postagens o que ele entende como tentativas de importar "tensões alheias" e a busca para criar conflito e "divisão entre as raças" no Brasil. Bolsonaro ainda afirmou em linguagem vulgar: "como homem e como Presidente: sou daltônico: todos têm a mesma cor".

Casamento marcado para dezembro

O corpo de Beto Freitas foi velado sob um véu branco no cemitério São João, em Porto Alegre, com a presença de familiares da vítima. Sobre o caixão foi posta uma bandeira do clube de futebol São José, do qual ele era torcedor.

A viúva de Freitas, Milena Borges Alves, colocou uma aliança no corpo de Beto Freitas, com quem se casaria em dezembro. Algumas pessoas carregavam cartazes pedindo justiça pelo assassinato. Um cortejo acompanhou o caixão de Beto Freitas até o local do sepultamento.

Pai: [racismo] 'tem que ser banido'

O pai de Beto, João Batista Rodrigues Freitas, em entrevista à RBS TV, disse que se sente de 'alma lavada' em relação a repercussão da morte do filho e afirmou que "esse tipo de sentimento assim [referindo-se ao racismo] tem que ser banido da sociedade".

"Eu posso te dizer que me sinto de alma lavada, porque não imaginei que fosse ter uma repercussão tão grande assim. Mas se é em favor da sociedade é bem-vindo", disse e acrescentou mais adiante: "Eu gostaria que isso não tivesse acontecido com o meu filho, mas quanto ao movimento negro, acho que todo movimento assim é valido. Porque esse tipo de sentimento assim tem que ser banido da sociedade. E só com muita educação a gente vai superar esse momento. Então um momento como esse é sublime pra isso."

Repercussão internacional

A morte de João Alberto repercutiu também entre jornais estrangeiros, como o Washington Post, dos Estados Unidos, e o El País, da Espanha.

A morte de Beto Freitas, de 40 anos, na véspera do Dia Nacional da Consciência Negra gerou protestos em diversas cidades brasileiras. Em São Paulo, um dos mercados da rede foi invadido e depredado por manifestantes. Na Avenida Paulista, artistas pintaram no asfalto, em letras garrafais, "#vidas pretas importam".

Perícia dos departamentos de Criminalística e Médico Legal do Instituto Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul indica que João Alberto Freitas morreu por asfixia.

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