Axel pede distanciamento; jordy convoca manifestação

O desafio ao decreto municipal que proíbe aglomerações e impõe outras restrições às atividades que provoquem concentrações de pessoas, através da convocação de uma manifestação para este domingo, 11, na Praia de Icaraí, contrasta com a atitude do prefeito Axel Grael, que, neste sábado, apelou mais uma vez à população de Niterói para permanecer em casa. Bolsonaristas, porém, prometem fazer uma reedição de um movimento religioso que ajudou a depor, em 1964, o governo constitucional do presidente João Goulart e a implantar no Brasil uma ditadura de 20 anos.

Mais uma vez, Axel ocupou o microfone do sistema de comunicação do Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) e transmitiu uma mensagem dramática para mais de 100 mil pessoas, que moram em áreas de risco e comunidades pobres de Niterói. Pelos mesmos alto falantes que emitem o sinal sonoro das sirenes nos momentos de perigo, o prefeito apelou mais uma vez à população para permanecer em casa.

Axel reiterou que a cidade vive um dos momentos mais preocupantes da pandemia de coronavírus, que produziu na última semana números superiores a quatro mil mortes por dia. O isolamento, reafirmou o prefeito, é a única forma possível de deter o avanço descontrolado da doença.

Enquanto isso, bolsonaristas convocavam os cristão para a manifestação marcada para as 11 horas da manhã deste domingo, 11, na Praia de Icaraí. Com a descontração de quem faz o convite para um piquenique, o deputado federal Carlos Jordy, vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, chamava animadamente católicos e evangélicos para participar da ”Marcha da Família Cristã pela Liberdade”.

A manifestação tem caráter nacional e é organizada, segundo as peças de propaganda que circulam na internet, por um movimento denominado “Endireitando o Brasil”. O nome e as inspirações remetem à “Marcha da família com Deus pela liberdade”, um momento também com características de extrema direita que buscava apoio da população - sobretudo da classe média - para a derrubada, em 1964, do governo João Goulart.

Procurado pelo TODA PALAVRA, o Coronel Sylvio Guerra, comandante do 12º BPM, disse que a Polícia Militar irá "acompanhar" a manifestação, mas não informou se tentará impedir o ato para fazer valer o decreto do prefeito Axel Grael, editado nesta sexta-feira, 9, que proíbe aglomerações em função da gravidade da pandemia de coronavírus em Niterói. O jornal também tentou saber qual seria a orientação da Guarda Municipal, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta da Secretaria Municipal de Ordem Pública.

Inspiração golpista

De acordo com artigo do CPDC, a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” foi uma série de manifestações, ou "marchas", organizadas principalmente por setores do clero e por entidades femininas em resposta ao comício realizado no Rio de Janeiro em 13 de março de 1964, durante o qual o presidente João Goulart anunciou seu programa de reformas de base. Congregou segmentos da classe média, temerosos do "perigo comunista" e favoráveis à deposição do presidente da República.

A primeira dessas manifestações ocorreu em São Paulo, a 19 de março, no dia de São José, padroeiro da família. O principal articulador da marcha foi o deputado Antônio Sílvio da Cunha Bueno, apoiado pelo governador Ademar de Barros, que se fez representar no trabalho de convocação por sua mulher, Leonor de Barros.

Marcha da Família com Deus pela Liberdade, no Rio de Janeiro, em comemoração pela vitória do Golpe, no dia 02 de abril de 1964. Preparada com o auxílio da Campanha da Mulher pela Democracia (Camde), da União Cívica Feminina, da Fraterna Amizade Urbana e Rural, entre outras entidades, a marcha paulista recebeu também o apoio da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. A marcha contou com a participação de cerca de trezentas mil pessoas, entre as quais Auro de Moura Andrade, presidente do Senado [autor da declaração da vacância da presidência da República, com o presidente João Goulart em território nacional], e Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara. Durante o trajeto, que saiu da praça da República e terminou na praça da Sé com a celebração da missa "pela salvação da democracia". Na ocasião, foi distribuído o Manifesto ao povo do Brasil, convocando a população a reagir contra Goulart.”

Em 1964, igrejas e religião também foram usadas para combater a democracia, derrubando o governo constitucional

A anunciada “salvação da democracia” se converteu em uma ditadura militar de 20 anos, que resultou em milhares de pessoas presas, banidas, perseguidas e torturadas, e centenas de desaparecidos políticos, muitos deles mortos nos porões da ditadura.


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