Bahia aceitará ajuda da Argentina após Bolsonaro recusar


(Fotos: Reprodução e Isac Nóbrega/PR)

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou nesta quinta-feira (30) que o estado aceitará o auxílio oferecido pela Argentina para apoiar as vítimas das piores inundações da história do estado, que já causaram 24 mortes. Segundo o governador, "a Bahia aceitará diretamente, sem precisar passar pela diplomacia brasileira, qualquer tipo de ajuda neste momento". Nesta mesma quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (PL) havia dito que a ajuda não seria necessária porque as Forças Armadas, em coordenação com a Defesa Civil, já estão prestando assistência similar à oferecida pelo governo argentino.

"O fraterno oferecimento argentino, porém muito caro para o Brasil, ocorre quando as Forças Armadas, em coordenação com a Defesa Civil, já estavam prestando aquele tipo de assistência à população afetada, inclusive com o apoio de 3 helicópteros da @marmilbr @exercitooficial", escreveu Bolsonaro no Twitter.

O governo Alberto Fernández havia oferecido o envio imediato de profissionais especializados em logística e apoio psicossocial para vítimas de desastres - os famosos "Capacetes Brancos".

"A Argentina ofereceu ajuda humanitária às cidades afetadas pelas chuvas na Bahia, apesar da negativa do governo federal. Me dirijo a todos os países do mundo: a Bahia aceitará diretamente, sem precisar passar pela diplomacia brasileira, qualquer tipo de ajuda neste momento. Os baianos e brasileiros que moram aqui no estado precisam de todo tipo de ajuda. Estamos trabalhando muito, incansavelmente, para reconstruir as cidades e as casas destruídas, mas a soma de esforços acelera este processo, portanto é muito bem-vinda qualquer ajuda neste momento", declarou o governador.

De acordo com o governador, além de toda a estrutura local, o estado conta com a ajuda de outras regiões. Ele ressaltou ainda que a infraestrutura das Forças Armadas, colocada à disposição pelo governo federal, é inadequada para muitas ações, como resgate de pessoas.

“O governo federal não tem nenhuma estrutura de ajuda aos Estados para desastres. Os helicópteros do Exército, da Marinha, são completamente inadequados para esse tipo de coisa. São helicópteros para a guerra, não para sobrevoar áreas urbanas. Um helicóptero daquele tamanho, quando baixa a uma altura mais reduzida, arranca as telhas, é um desastre”, ressaltou.

A recursa de Bolsonaro à cooperação argentina foi o oposto do caso da "ajuda humanitária" de Israel na tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais. Naquela, Bolsonaro não só aceitou o envio de ajuda - evidentemente política por laços ideológicos de seu governo com o do então primeiro-ministro Benjamin Netanyahu - como anunciou com toda pompa. A ação, porém, durou apenas quatro dias e foi considerada de pouca eficácia e de muita propaganda para ambos os lados.



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