728x90_2.gif

BB: venda de R$ 2,9 bi por R$ 371 milhões sob suspeita


Rubem Novaes deixou a presidência do Banco do Brasil na semana passada (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar a operação de venda da carteira de crédito de R$ 2,9 bilhões para o BTG Pactual pela "bagatela" de R$ 371 milhões. A operação, feita sem licitação, foi um dos últimos atos da gestão de Rubem Novaes na presidência do Banco do Brasil e vem sendo muito criticada.

Novaes ocupou o cargo de presidente do Banco do Brasil por um ano e meio e, na sexta-feira (24), ao anunciar sua renúncia ao cargo, escreveu que “a companhia precisa de renovação para enfrentar os momentos futuros de muitas inovações no sistema bancário”. No dia seguinte à demissão, Novaes disse em entrevista à CNN Brasil que não se adaptou à “cultura de privilégios, compadrio e corrupção de Brasília”. Críticos consideraram uma "saída à francesa", deixando para trás esclarecimentos a serem feitos.

A operação foi anunciada no início do mês e a venda, sem leilão, foi concretizada na semana passada. O banco BTG Pactual, que levou a carteira de crédito por R$ 371 milhões, teve como um de seus fundadores o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, companheiro de Novaes desde os tempos de formatura na Universidade de Chicago.

Em ofício ao TCU, o presidente da ANABB pediu ao Tribunal que se “debruce” sobre a legalidade dos negócios efetuados e verifique por meio de auditoria eventuais prejuízos aos acionistas", aponta reportagem do O Estado de S. Paulo.

Ciro Gomes: "Um negócio escandaloso"

O ex-ministro e candidato a presidente da república, Ciro Gomes, em uma live no sábado (25), fez duras críticas à operação.

“O Banco do Brasil agora, essa semana, pegou R$ 3 bilhões de papel para receber que ele tem e vendeu para um banco criado por Paulo Guedes chamado BTG por trezentos e poucos milhões de reais. Sem licitação. Ninguém sabe porque foi trezentos, não foi duzentos, nem quinhentos, sendo que o BTG levou uma carteira de haveres de R$ 3 bilhões, com ‘B’ de bola”, disse.

O pedetista afirmou ainda que nunca o Banco do Brasil havia feito algo semelhante em sua história e denunciou também uma série de negociatas envolvendo a Petrobras. “Estão roubando de braçada. É um negócio absolutamente escandaloso o governo do ‘seu’ Jair Bolsonaro”, afirmou.

"Tá arriscado ir pra cadeia"

No vídeo da famosa reunião ministerial do dia 22 de abril, em que Paulo Guedes diz "tem que vender essa porra logo", se referindo ao Banco do Brasil, Rubem Novaes, bolsonarista ferrenho, definiu os controles do Tribunal de Contas da União acerca do banco estatal como uma "usina de terror". E ainda acrescentou: "Se a gente faz alguma coisa, tá arriscado a ir pra cadeia", disse ele, sem dar detalhes das coisas que pretendia fazer enquanto presidente do banco.

Na gestão de Novaes, o Tribunal de Contas da União determinou a suspensão de publicidade do Banco do Brasil veiculada em sites e canais no Youtube de bolsonaristas acusados de difundir fakenews e ataques ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional. Novaes recorreu da decisão.

1/3