Benny Briolly recebe sexta ameaça de morte neste ano


Foto: Reprodução/Redes Sociais

A vereadora niteroiense Benny Briolly (PSOL) denunciou em suas redes sociais mais uma ameaça de morte contra ela, nesta quarta-feira (9/3). Primeira travesti eleita para um cargo político no estado do Rio, Benny já recebeu, ao todo, seis ameaças desde o início deste ano. Um dossiê preparado pela equipe da parlamentar já aponta um total de 20 ao longo de seu mandato.


Benny compartilhou uma imagem que mostra os e-mails com ameaças recebidas por ela. Um deles se refere à vereadora como "macaco" e diz ter contatos na região de Niterói para conseguir um canhão e explodir sua casa enquanto ela estiver dormindo. "Durma de olhos abertos", alerta o texto.


Outra mensagem diz que se Benny não renunciar ao seu mandato, irá explodir seu gabinete. "Sou pedófilo e terrorista assumido e irei explodir seu gabinete com você dentro se você não renunciar. Você tem 90 dias para renunciar, senão já sabe o que vai acontecer!", diz um trecho do e-mail.


Benny disse ainda que sua equipe já encaminhou à Polícia Civil um dossiê com mais de 20 ameaças dirigidas a ela em menos de um ano. No entanto, até o momento, ninguém foi responsabilizadopelas mensagens.


Em outro e-mail, o autor diz que irá "dar o tiro de misericórdia" na testa da parlamentar. "É isso mesmo que você leu! Sou um completo fantasma e tenho certeza da impunidade. Já tenho tudo preparado para fugir do país. Este e-mail também nem você nem os porcos vagabundos da (Polícia) Civil de Niterói vão conseguir rastrear. A Polícia Federal também, já que eles não possuem jurisdição na Alemanha. Por que acha que ninguém achou o responsável por matar Marielle Franco? Aguarde a visitinha da minha Glock G25 calibre 380. TIC TAC."


Benny também usou as redes sociais para dizer que não vai interromper seu mandato, mesmo com todas as ameaças.


"Não voto contra meu povo, não me conformo com a sujeira da velha política e nado contra corrente da corrupção e injustiças. Sou a primeira travesti eleita no Rio de Janeiro, a mulher mais votada de Niterói. E não 'será' ameaças de morte vinda daqueles que temem o poder de transformação que meu corpo carrega. Não aceito ser intimidada e nem renunciarei do cargo a qual fui eleita democraticamente pelo povo. O racismo e transfobia que sofro me trazem mais sede de justiça e força pra continuar lutando", escreveu a vereadora.


Nesta quarta-feira (9/3), Benny iria à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) para registrar as novas ameaças junto ao Instituto de Defesa a População Negra (IDPN). No entanto, segundo relatou a própria vereadora, o Programa de Proteção que a acompanha avaliou que não seria seguro.


"A minha mobilidade está limitada pela falta de segurança e respostas do Estado. Sigo aguardando medidas protetivas eficazes. Estou firme na luta! A discriminação não irá me fazer retroceder pois sei que não ando só!", desabafou Briolly.


"Os ataques, ameaças e ofensas NÃO DIMINUEM a minha sede de TRANSformar a política brasileira. Eu sou uma travesti preta e favelada. (...) Minha eleição é símbolo de reparação e justiça e só estou aqui pela luta travada pelos meus ancestrais desde África", declarou ela em outro trecho.


Em maio de 2021, Benny deixou o país por orientação de seu partido como medida de segurança. Uma semana depois, o Ministério Público Eleitoral (MPE) determinou que a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) adotassem medidas urgentes à proteção da vereadora.

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