Boa política e má educação na visita de Paes a Niterói


Paes veio a Niteroi, mas esqueceu a educação no Rio / Luiz Erthal

A visita de Eduardo Paes a Niterói nesta segunda-feira, 22, selou a aliança da antiga com a atual capital fluminense em defesa da vida e contra a política adesista do governador tampão Cláudio Castro ao governo negacionista de Jair Bolsonaro. O vice de Wilson Witzel, afastado para responder ao processo de impeachment, tenta compensar sua inexpressão política com o apoio bolsonarista, já tendo, inclusive, declarado voto à reeleição de Jair Bolsonaro em 2022.

Para marcar seu apoio ao presidente, ele tenta impedir a adoção de ações mais rigorosas de isolamento social no combate à pandemia de coronavírus, mas se vê agora acuado pela aliança formada pelas prefeituras de Niterói e do Rio de Janeiro, que hoje anunciaram medidas de lockdown nas duas cidades. Os prefeitos Axel Grael, de Niterói, e Eduardo Paes, do Rio, tomaram a decisão depois de ouvir os seus conselhos científicos - formados por professores e cientistas das duas cidades - e também depois de tentarem uma articulação mais ampla, envolvendo o governo do estado.

Na sexta-feira, 19, eles se reuniram com o governador, que se recusou a adotar os protocolos rigosos de isolamento social preconizados pelos acadêmicos dos comitês científicos. Castro tentou usar o peso dos empresários, com quem se reuniu no sábado, para assumir o controle das ações, propondo um plano de antecipação de feriados, com menos restrições do que a proposta dos prefeitos. Nesta segunda-feira, conhecendo as articulações de Axel e Paes, deu entrevistas em tom intimidatório, avisando que os municípios teriam que se submeter às decisões do governo do estado e prometeu recorrer à Justiça contra o protagonismo de Niterói e do Rio.

Axel e Paes, no entanto, não retrocederam. O prefeito do Rio veio a Niterói nesta segunda-feira e se reuniu com Axel, definindo ações conjuntas das duas cidades. No que pese o tom cordial e amistoso da visita, o carioca foi mais uma vez descortês no trato com os vizinhos.

Paes desafinou novamente no quesito educação. Cidade contigua a Niterói, Maricá já experimentou os destratos do prefeito carioca, que a classifcou como "uma merda" em conversa telefônica com o ex-presidente Lula, vazada nas investigações da Lava Jato.

Na entrevista coletiva que os dois prefeitos daram no final da tarde desta segunda-feira, no Teatro Popular, um dos monumento da cidade que integram o do Caminho Niemeyer, Paes até que parecia bem comportado. Axel abriu a entrevista, fazendo uma rápida explanação dos fatos. Em seguida, os secretários de saúde dos dois municípios fizeram uma apresentação da gravidade do quadro da pandemia na região. Paes falou por fim, passando à fase das perguntas dos jornalistas.

Deselegante, o prefeito do Rio deixou transparecer sua irritação com a demora da entrevista - que não chegou a dez perguntas - e fez uma crítica pública à assessoria de imprensa da prefeitura de Niterói, responsável pela organização do evento. Após uma pergunta de um repórter de O Globo, ele deu por encerrada a entrevista como se fosse o dono da casa, sem sequer passar a palavra ao prefeito de Niterói, seu anfitrião, para fazer o encerramento, em claro desrespeito aos organizadores e aos jornalistas ainda inscritos para perguntas.



300X350px_Negra.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg
728X90px (2).gif