Bolsonarista do TCU e Osmar Terra no caldeirão da CPI

Atualizado: 10 de jun. de 2021


CPI da Covid: depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O caldeirão da CPI da Covid promete ferver nas próximas sessões com as novas decisões tomadas nesta quarta-feira (9) pela comissão. Foram aprovados requerimentos para convocações de figuras polêmicas, como do deputado Osmar Terra (MDB-RS), considerado mentor da imunidade de rebanho - teoria dominante dentro do governo durante a pandemia -, do "bolsonarista do TCU", que elaborou relatório paralelo sobre as mortes de covid-19 divulgado pelo presidente, e do dono do laboratório Apsen, Renato Spallicci.

Além das convocações, os senadores decidiram também revogar o sigilo de documentos encaminhados à comissão. Segundo o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), os documentos foram "carimbados" indevidamente pelo governo e, por isso, a partir de agora, só serão classificados como sigilosos caso haja justificativa legal - com informações bancárias, fiscais, de segurança nacional e de interesse do estado brasileiro.

"Estão mandando todos os documentos como se fossem sigilosos. Vamos fazer uma quebra hoje. Não tem documento sigiloso. Por exemplo, Ministério das Relações Exteriores tudo vem carimbado sigiloso quando não é nada sigiloso. Tem documentos que estão no Portal da Transparência que a Secom mandou para cá como sigiloso. Então vamos acabar com esse negócio. A pessoa quando mandar um documento sigiloso para cá tem que dizer por que, qual a razão para ser sigiloso. Se não vier, nós vamos abrir", afirmou Aziz.

Osmar Terra é apontado como um dos principais idealizadores do chamado "ministério paralelo", que orientaria Bolsonaro para assuntos relacionados à pandemia - pelos depoimentos tomados até agora verificou-se que o grupo orientou o presidente contra a vacinação e a favor da adoção do "tratamento precoce" com medicamentos comprovadamente sem eficácia contra a covid, como cloroquina, hidroxicloroquina, azitromicina e tamiflu.

Ao longo da pandemia, Terra vem defendendo a tese da imunidade de rebanho natural, sem vacina, segundo a qual a população ficaria imunizada a medida que adoecesse com o espalhamento do vírus. Ele também já questionou a eficácia das vacinas.

Na semana passada, vieram a público imagens que mostram Terra participando de uma reunião no Planalto, em setembro de 2020, do suposto "ministério paralelo". Terra sentava ao lado de Bolsonaro e teria sido um dos organizadores do evento, que contou com a participação de outros integrantes, como o virologista Paolo Zanotto, que aparece questionando a eficácia das vacinas, e a epidemiologista Nise Yamaguchi, cujo papel principal era o de reunir produções científicas sobre cloroquina. Na reunião, teria sido discutido o "tratamento precoce".

Filho do amigo de Bolsonaro, com cargo na Petrobras

Além do deputado também foram aprovados os requerimentos de convocação e quebra de sigilo do servidor afastado do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Figueiredo Costa e Silva. O auditor de contas do tribunal é responsável por elaborar um relatório paralelo com informações falsas que mostram que números de mortes por covid-19 foram inflados.

Os senadores da CPI querem saber se o servidor teve contatos com o ministério paralelo, com autoridades do Planalto ou com os filhos e pessoas próximas de Jair Bolsonaro.

O relatório de Alexandre foi citado publicamente por Bolsonaro para desqualificar a imprensa e argumentar que a pandemia vem sendo utilizada pelos governadores para conseguirem mais recursos da União.

Segundo revelou o Globo, o pai de Alexandre é um coronel reformado do Exército da mesma turma de Bolsonaro à época da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e que, em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, ganhou um cargo na Petrobras, com salário estimado em aproximadamente R$ 50 mil. O coronel Ricardo Silva Marques teria sido o responsável pelo vazamento do documento ao presidente.

Ainda segundo o Globo, agenda oficial de Bolsonaro mostra que ele e Ricardo Silva Marques se reuniram pelo menos duas vezes no Palácio do Planalto em 2019.

No rastro da cloroquina e do dinheiro

Uma das linhas de investigação da CPI é rastrear o lobby da indústria farmacêutica nacional em defesa de hidroxicloroquina e outros. O Ministério da Saúde é o maior comprador de medicamentos do país, e com a introdução pelo governo do chamado kit covid, a venda desses remédios sem eficácia contra a covid-19 se multiplicaram.

Por isso, também foi aprovado requerimento para convocação do empresário bolsonarista Renato Spallicci, dono do Laboratório Apsen, que produz o Reuquinol, do qual Bolsonaro fez propaganda em suas lives. A empresa assinou dois contratos de empréstimo com o BNDES em 2020, no total de R$ 153 milhões, para investir em atividades de pesquisa e ampliar sua capacidade produtiva.

Além de Spallicci, a CPI aprovou a convocação do secretário de Comunicação Institucional, Felipe Cruz Pedri; o ex-secretário de Saúde do Distrito Federal Francisco de Araújo Filho, detido pela Polícia Federal; a diretora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) Francieli Fantinato; e o empresário José Alves Filho.

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