Brasil pode recuar de sediar a Copa América


(Divulgação)

Em vias de uma terceira onda de Covid-19 alertada pela Fiocruz e outras autoridades sanitárias do país, o presidente Jair Bolsonaro deu "ok" a Conmebol para realização da Copa América - de 11 de junho a 10 de julho - no Brasil. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (31) em rede social pela Conmebol, agradecendo ao presidente brasileiro e à CBF, por "abrir as portas desse país" para o "evento esportivo mais seguro do mundo", que reunirá 10 seleções, incluindo a do Brasil. Cerca de seis horas depois, porém, já no final da tarde, o governo federal afirmou que a competição ainda não está confirmada no Brasil, numa evidente possibilidade de recuo após a forte repercussão negativa que teve na imprensa e nas redes sociais.

"Não tem nada certo, quero deixar isso bem claro, estamos no meio do processo, mas não vamos nos furtar dessa demanda, caso seja possível, de atender", afirmou o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, salientando que o governo fez algumas exigências à CBF, mas que a realização do evento ainda não é definitiva.

"Campeonato Brasileiro envolve 20 times na Série A e 20 times na Série B. Estão ocorrendo jogos em todo o Brasil. Acabaram na semana passada os campeonatos estaduais. Com relação à realização dos jogos da Copa América não sei por que algumas pessoas se pronunciaram contra o evento", declarou o ministro sobre a repercussão negativa.

Desistências

A decisão do governo brasileiro de acolher a Copa América, se for confirmada, acontece depois da desistência da Colômbia e de o governo Alberto Fernández ter vetado a realização da competição na Argentina, justamente por causa do recrudescimento da pandemia no país. Neste domingo (30), o ministro do Interior, Wado de Pedro, explicou que a organização do torneio seria inviável, principalmente em Mendoza, Córdoba, Buenos Aires, Tucumán e Santa Fé. A Argentina registrou até agora mais de 3,6 milhões de casos de coronavírus, com mais de 76 mil mortes.

Em seu comunicado pela rede social, por volta de 11 horas da manhã, a confederação informou que as datas de início e término do torneio estão confirmadas, que as cidades-sedes e a tabela de jogos serão informadas nas "próximas horas" e agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro.

A competição no Brasil só foi confirmada pela Conmebol porque o presidente da República deu sinal verde para sua realização. Até o início da reunião com o governo brasileiro, a possibilidade de o Brasil sediar o torneio era descartada tanto pela CBF quanto pela Conmebol. O que deixa claro que houve uma decisão de Bolsonaro pela realização do torneio no país.

Tão logo o anúncio foi feito pela Conmebol e o assunto alcançou destaque nas redes sociais, internautas iniciaram um movimento chamado "Não vai ter Copa América no Brasil".

Na noite de domingo, a Conmebol havia anunciado que outros países tinham mostrado interesse em abrigar a competição de seleções sul-americanas. Os países seriam Equador e Venezuela.

A Colômbia, que seria a sede original, desistiu da organização devido à crise política que o país vive com protestos populares contra o governo nas últimas semanas.

A média móvel de mortes por Covid-19 no Brasil, segundo o consórcio de veículos da imprensa, está acima de 1.800 por dia. São mais de 50 mil novos casos positivos de coronavírus no país a cada novo dia. Pouco mais de 10% da população (10,42%) está vacinada completamente (com as duas doses) contra a doença.


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