728x90_2.gif

Bolsonaro admite não ter agido em denúncia de corrupção


Presidente Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR) e deputado Luis Miranda (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Como uma confissão implícita, por crime de prevaricação, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, durante entrevista à Rádio Gaúcha neste sábado (10), que não pode tomar providências sobre tudo que chega até ele. O presidente se referia ao encontro mantido com o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luis Ricardo, servidor do Ministério da Saúde, no qual teria sido revelado a ele um esquema de corrupção envolvendo as negociações da vacina indiana Covaxin. Na mesma entrevista, Bolsonaro ainda chamou de “bandidos” os senadores que formam a cúpula da CPI da Covid, o presidente Omar Aziz (PSD-AM), o vice Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o relator Renan Calheiros (MDB-AL).

“Ele (Luis Miranda) pediu uma audiência pra conversar comigo sobre várias ações. Eu tenho reunião com mais de 100 pessoas por mês, dos mais variados assuntos. Eu não posso simplesmente, ao chegar qualquer coisa pra mim, tomar providência”, disse Bolsonaro, que foi alertado pessoalmente pelos irmãos Miranda no dia 20 de março, e somente mais de três meses depois - após o caso se tornar escândalo - a Polícia Federal abriu investigações.

Na entrevista, Bolsonaro também reiterou o que já havia dito na sexta-feira, que não irá responder a carta dos três senadores pedindo que ele esclarecesse quais providências teria adotado após ter sido informado sobre a suspeita de irregularidades. "Não tenho obrigação de responder. Ainda mais carta pra bandido. Três bandidos", disse.

Autorizada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República instaurou inquérito na semana passada para investigar Jair Bolsonaro por crime de prevaricação, previsto no Código Penal como crime de responsabilidade, sendo passível de processo de impeachment.


1/3