Bolsonaro: ajuda aos pobres quebra o Brasil


(Foto: Alan Santos/PR)

Depois de dizer no início de janeiro que "o Brasil está quebrado" para justificar que não pode mexer na tabela do imposto de renda para beneficiar quem ganha até R$ 3 mil, o presidente da República, Jair Bolsonaro, afirmou nesta quinta-feira que "vai quebrar o Brasil", se for aprovada uma nova rodada do auxílio emergencial aos mais vulneráveis.

"Lamento, o pessoal quer que continue, vai quebrar o Brasil. Vem inflação, descontrole da economia, vem um desastre atrás disso aí. E todo mundo vai pagar caríssimo. E temos que trabalhar", disse Bolsonaro em transmissão ao vivo nas suas redes sociais.

Em 5 de janeiro, o presidente disse que "o Brasil está quebrado" e que não consegue "fazer nada", e ainda responsabilizou a imprensa pelo fracasso, dizendo que haveria "um trabalho incessante de tentar desgastar" para tirá-lo e "atender interesses escusos da mídia", afirmando também que a pandemia que já matou mais de 220 mil mortes é "potencializada" pela imprensa.

Já o presidente do Banco Central, Campos Neto, que também participou de transmissão ao vivo, afirmou que o problema da economia é de credibilidade.

"Localmente a gente tem um desafio mais difícil para o Banco Central, mais difícil para a equipe econômica, que você pode ter no curto prazo um crescimento não tão robusto, mas uma inflação subindo. O que faz esse par ordenado melhorar é a credibilidade. Com credibilidade você consegue ter um crescimento menor, com uma inflação menor", disse Campos Neto reforçou a preocupação com os gastos do governo e o rombo de R$ 743 bilhões nos cofres públicos em 2020, sem mencionar o aumento de 20% com gastos do governo, no valor de R$ 1,8 bilhão, em alimentação em plena pandemia da Covid-19.

O presidente do BC ressaltou a importância das reformas econômicas como indutoras de credibilidade, que, por sua vez, podem estimular o investimento privado e o crescimento do país.

Estudo da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) divulgado esta semana, no entanto, mostra que o drama do desemprego vivido por milhões de brasileiros poderia ser atenuado se as grandes empresas brasileiras que pegaram dinheiro oficial do governo, como forma de socorro para o período da pandemia, não tivessem guardado R$ 172 bilhões - valor acumulado até setembro do ano passado - no "colchão", para "eventual emergência".

Nos últimos dias, candidatos às presidências da Câmara e do Senado, inclusive da base do governo quem têm o apoio do presidente Bolsonaro, vem defendendo a volta do auxílio emergencial como forma de transferência de renda à população mais vulnerável.

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