Bolsonaro, cadê as provas?


O 'bolsominion' coronel Eduardo Gomes e Jair Bolsonaro durante a live (Reprodução)

O tiro de Bolsonaro ao convocar a imprensa nesta quinta-feira para participar de sua live, sem direito a fazer perguntas, saiu literalmente pela culatra. Após prometer reiteradas vezes apresentar provas de fraude nas eleições vencidas por ele em 2018, o presidente passou quase duas horas repetindo argumentos falsos ou enganosos, e no final foi obrigado a admitir: as provas não existem.

Na live, Bolsonaro voltou a fazer acusações infundadas ao sistema de votação e a gerar desinformação, divulgando vídeos que circulam há anos na internet, com programadores de computador dizendo que é fácil fraudar o programa da urna eletrônica, que já foram fartamente desmentidos - fakenews.

Na transmissão, em vez de apresentar as tais provas de fraude que jurava possuir, o presidente disseminou desinformação sobre a confiabilidade das eleições, atacou o Supremo Tribunal Federal, fez ameaças golpistas, fez campanha eleitoral usando a máquina pública - a transmissão ao vivo pela TV Brasil - e ainda usou a oportunidade para convocar a população a se manifestar em favor do voto impresso.

Segundo especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, "Bolsonaro está mobilizando a população por uma causa ilegítima, o que é uma forma de subverter o sistema democrático".

Ao contrário do apoio que imaginou colher com os ataques ao sistema eletrônico de votação, que ele acusa de ser gerador de fraude, Bolsonaro pode ainda ser enquadrado em crime de responsabilidade, passível de processo de impeachment, segundo os especialistas.

Em situação normal, caberia ao procurador-geral da República, Augusto Aras, avaliar se é o caso de pedir abertura de inquérito contra Bolsonaro no STF. Aras, porém - a contragosto da categoria dos procuradores - acabou de ser indicado pelo próprio Bolsonaro para permanecer no comando da Procuradoria-Geral da República por mais dois anos.

'Militante bolsominion'

De acordo com a revista Fórum, a live de quinta-feira contou com a participação de um homem identificado por Jair Bolsonaro apenas como “Eduardo, analista de inteligência”.

Após a transmissão ao vivo, veio à tona que o “analista de inteligência” é Eduardo Gomes da Silva, coronel da reserva e assessor especial do Ministério da Casa Civil. Ele foi nomeado para o cargo pelo então titular da pasta, general Luiz Eduardo Ramos, em abril deste ano.

Pelas redes sociais, o também coronel da reserva Marcelo Pimentel revelou que conhece bem Eduardo Gomes, que, segundo ele, já fazia postagens pró-Bolsonaro nas redes sociais quando ainda era da ativa.

“O ‘analista de inteligência’ na live é o Cel Eduardo, de artilharia, meu colega no curso de Estado-Maior, 3a + moderno. Na ativa, defendia ostensivamente a candidatura Bols/Mourão nas redes e me destratava qdo eu, na reserva, criticava ativismo político de oficiais na ativa”, escreveu Pimentel.

“Não sei se o Eduardo serviu no CIE ou se tem o curso Avançado de Inteligência, mas como ‘analista’ é um excelente militante ‘bolsominion’ de um Exército cada vez mais… (complete vc, senão posso ser injustamente punido novamente)”, escreveu ainda o militar.

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