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Bolsonaro confirma Casa Civil nas mãos do Centrão


Onyx Lorenzoni e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) com Bolsonaro (Marcos Corrês/PR)

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira (22) que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder do Centrão, vai assumir a Casa Civil no lugar do general Luiz Eduardo Ramos, que, na quarta-feira, disse que "não sabia e estou em choque" com a troca.

"Está praticamente certo. Vamos botar um senador aqui na Casa Civil que pode manter um diálogo melhor com o parlamento brasileiro", disse Bolsonaro em entrevista a uma rádio de Curitiba, confirmando também a reforma ministerial que deve acontecer na próxima semana.

"A princípio é ele [Ciro Nogueira], conversei com ele já, ele aceitou. Ele está em recesso, chega em Brasília segunda-feira, converso com ele, acertamos os ponteiros. E a gente toca o barco”, disse ainda Bolsonaro.

O presidente também confirmou a recriação do Ministério do Trabalho e Previdência, que esvazia a pasta do ministro Paulo Guedes, que, no início do governo, ganhou quatro ministérios para a criação do Ministério da Economia sob seu comando. O atual ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, será o titular do ministério recriado, enquanto o general Luiz Eduardo Ramos assumirá seu lugar na Secretaria Geral.

Contrariando o seu discurso de campanha, de extinguir ministérios para "reduzir a máquina pública", Bolsonaro também confirmou nesta quinta-feira que o número de ministérios será restabelecido para o total de 23. Em fevereiro deste ano, com a aprovação da autonomia do Banco Central, o órgão perdeu status de ministério e se transformou em autarquia federal.

Em março deste ano, Bolsonaro já havia promovido uma reforma ministerial, com trocas em seis ministérios, em sua maioria, ocupados por militares: Casa Civil e Secretaria de Governo, ambas ligadas à Presidência da República, ministérios da Justiça e Segurança Pública, das Relações Exteriores e da Defesa e também da Advocacia-Geral da União (AGU).

O alvo agora é se fortalecer no Congresso diante do seu derretimento eleitoral nas últimas pesquisas. O senador piauiense Ciro Nogueira, ex-aliado de Lula e de Dilma Rousseff, já tem o controle da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), por onde tem transitado, de forma sigilosa, uma bolada bilionária de verbas do orçamento secreto, que foi criado em 2019 pelo governo Jair Bolsonaro também de forma inédita na história no Congresso. E agora ocupará a Casa Civil com duas missões, além de distribuir cargos para o Centrão: cuidar da aprovação do advogado-geral da União André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF) e organizar a distribuição de emendas no Senado – o toma lá, dá cá - para garantir a vitória do governo em votações sensíveis às eleições de 2022.

O orçamento secreto do Senado, que ficará sob o comando de Nogueira, só em 2021 são R$ 5,8 bilhões – os outros R$ 11 bilhões, destinados para distribuição na Câmara dos Deputados, permanecem sob comando de Artur Lira (PP-AL), presidente da Câmara e também líder do Centrão, a quem Bolsonaro acaba de confiar o seu futuro político.

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