Bolsonaro debocha de ministros do Supremo Tribunal


Bolsonaro faz "fuzil" com o violão em Goiânia (Reprodução)

Ao discursar após um encontro de líderes evangélicos em Goiânia neste sábado, o presidente Jair Bolsonaro voltou a provocar o Supremo Tribunal Federal (STF) ao dizer que "não são três Poderes (da República) mas dois". Um pouco depois, Bolsonaro convidou todos os presentes a participar dos atos em sua defesa previstos para o feriado de 7 de Setembro. Bolsonaro prometeu que convidaria para o carro de som qualquer parlamentar que estiver nas manifestações em Brasília ou em São Paulo. E debochou: “Convido também qualquer um dos 11 ministros do STF a ocupar o carro de som e falar com o povo brasileiro (que, no caso, são os seus apoiadores)”.

O presidente também voltou a mentir para seus apoiadores dizendo que caso haja mudança no marco temporal, que está sendo julgado no STF, o agronegócio no país pode ser inviabilizado. "Isso inviabilizaria o nosso agronegócio. Nós praticamente deixaríamos de produzir, exportar, e sequer teríamos como garantir nossa segurança alimentar", justificou.

As demarcações judicializadas estão dentro dos 13,8% de terras demarcadas e, de acordo com especialistas, o impacto da decisão na Justiça não produzirá alterações substanciais nesses números.

Diferente do que diz Bolsonaro, que 14% do território nacional está demarcado como terra indígena e que com mudanças, o número dobraria para 28%.

Sempre provocando o Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro deixou claro o que não pretende cumprir a a decisão caso seja contrária aos interesses do governo: "Caso aprovado eu tenho duas opções. Não vou dizer agora, mas já está decidido qual é essa opção. É a que interessa ao povo e está do lado da nossa Constituição".

O marco temporal está ligado ao Projeto de Lei 490/2007, apoiado pela bancada ruralista do agronegócio, aliada do governo. A decisão, se aprovada, deve prejudicar o processo de demarcação de mais de 300 terras, onde vivem cerca de 197 mil indígenas.

Feijão e fuzil

Também neste sábado, Bolsonaro rebateu críticas sobre sua declaração priorizando a compra de fuzis ao invés de feijão. Na página oficial do Facebook do presidente, um usuário postou um desenho de um fuzil no prato com os dizeres "não alimenta".

Bolsonaro respondeu que "[a arma] garante a sua liberdade para você trabalhar e se alimentar. Sem ela você poderá depender das migalhas do Estado".

Outro usuário questionou: "Quem deixa de comer feijão e passa a comer fuzil, caga o quê?". O presidente tornou a responder: "Aquilo que você escreveu", disse. E prosseguiu: "No mais, fique em casa que a economia a gente vê depois. Dessa forma, quem vai plantar feijão para você comer?", indagou Bolsonaro, referindo-se ao isolamento social.

Na sexta-feira (27), o presidente da República disse que "tem que todo mundo comprar fuzil"... "tem idiota que diz 'ah, tem que comprar feijão".

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