Bolsonaro defendia urna eletrônica contra fraude no voto impresso


Em 1993, o então deputado Jair Bolsonaro defendeu eleições informatizadas (Foto: Câmara dos Deputados)

Num momento em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) lança ataques sistemáticos de desconfiança contra as urnas eletrônicas, a BBC Brasil divulgou nesta quinta-feira (4) parte de um discurso no qual o então deputado federal Jair Bolsonaro, no dia 20 de agosto de 1993, defendia firmemente a informatização das urnas como única possibilidade contra fraudes nas votações impressas daquele período. Na época, ele estava no Partido Progressista Reformador (PPR), partido de Paulo Maluf e uma das oito siglas pelas quais passou antes de se filiar ao PL em novembro do ano passado.

No discurso direcionado a coronéis e generais da reserva, na sede do Clube Militar do Rio de Janeiro, Bolsonaro afirmou: "Esse Congresso está mais do que podre. Estamos votando uma lei eleitoral que não muda nada. Não querem informatizar as apurações. Sabe o que vai acontecer? Os militares terão 30 mil votos, e só serão computados 3.000."

À época, os militares discutiam formas de voltar ao poder, sendo que alguns, incluindo Bolsonaro, acreditavam que a democracia era um "sistema viciado". Como medidas a serem adotadas para assegurar a lisura do processo eleitoral, enumerou providências que julgava necessárias para garantir lisura do processo eleitoral - entre elas, proibição do voto dos analfabetos, exigência de ensino médio (atual segundo grau) para candidatos e informatização das eleições (as urnas eletrônicas implementadas dois anos depois). "Só com essas medidas conseguiríamos evitar os votos comprados", chegou a dizer Euclydes Figueiredo, irmão do último presidente da ditadura, João Figueiredo, no fim de 1993, reforçando o discurso de Jair Bolsonaro.

Apesar de ter apoiado o voto eletrônico, convenientemente Bolsonaro mudou seu discurso com o tempo. No ano passado, diante das primeiras pesquisas que já apontavam o ex-presidente Lula (PT) na primeira colocação para as eleições 2022, Bolsonaro começou a intensificar os ataques às urnas eletrônicas e chegou a liderar uma campanha a favor do voto impresso, mas a proposta acabou derrotada no Congresso Nacional.

Ainda de acordo com a reportagem da BBC Brasil, nas eleições estaduais em 1994 foram descobertas várias irregularidades nas urnas. Numa delas, o juiz Nelson Carvalhal, da 24ª Zona Eleitoral, descobriu quatro cédulas falsas, impressas em papel mais fino. Beneficiavam quatro candidatos, entre eles Jair Bolsonaro.

As urnas eletrônicas foram oficialmente implementadas em 1996. Mas somente em 2000, a informatização atingiu pela primeira vez a totalidade do eleitorado.

Hoje, após ter sido eleito diversas vezes para diferentes cargos com o sistema eleitoral informatizado, Bolsonaro propõe uma votação paralela em cédulas de papel dizendo não confiar no processo eleitoral eletrônico. Segundo especialistas, se trataria de uma estratégia golpista para se contestar, mesmo sem provas, o resultado das votações em caso de derrota em 2 de outubro e gerar instabilidades na democracia brasileira.

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