Bolsonaro deu 1.682 declarações falsas ou enganosas em 2020


(Foto: Carolina Antunes/PR)

O presidente Jair Bolsonaro emitiu nada menos que 1.682 declarações falsas ou enganosas durante todo o ano de 2020, uma média de 4,3 mentiras por dia. Contando desde que assumiu o mandato, em janeiro de 2019, Bolsonaro fez ao todo 2.187 declarações falsas ou distorcidas - média de três por dia. Números divulgados nesta quinta-feira (29) são do Relatório Global de Expressão 2021, com dados de 161 países, produzido pela organização não-governamental (ONG) Artigo 19 sobre liberdade de expressão.

De acordo com o documento, o volume diário de desinformação espalhada por Bolsonaro contribuiu para a aumentar o número de casos de covid-19 no País.

O documento destaca algumas falas de Bolsonaro, como ao chamar a doença de "gripezinha", e "promoção de discursos antivacinas e anti-isolamento, piorando as taxas de infecção e causando uma crise de informação com discursos altamente polarizados".

No combate contra à pandemia, a Artigo 19 faz críticas à falta de transparência nos números da pandemia em alguns países, entre eles o Brasil. O texto pontua que 35% dos pedidos de informação feitos durante o governo Bolsonaro foram respondidos com informações incorretas, 25% com desinformação intencional, 20% com censura de informações e 5% com informações parciais. Só 15% dos pedidos foram respondidos de forma completa.

Liberdade de expressão

Na escala de liberdade de expressão utilizada pela ONG, que vai de 0 a 100, o Brasil teve 52 pontos. É a pior pontuação da série, que começou em 2010, e é a mesma da Colômbia e do Gabão, ficando logo abaixo do Haiti, que teve 53 pontos. As melhores pontuações foram da Dinamarca e Suíça, com 95, e a pior foi da Coreia do Norte, que zerou.

No ranking mundial, o Brasil de Bolsonaro ocupa a 85ª posição entre 160 países. Em 2010, com Lula na Presidência, o País tinha a nota 89 e era um dos com pontuação mais alta no ranking. Agora, nações como a Hungria e a Indonésia estão em posições melhores que a do Brasil. Em 2015, o País ficou em 86º.

"Nos últimos cinco anos, o Brasil deixou de estar entre os países com maior pontuação do mundo a ser considerada uma crise de democracia e expressão - e agora uma crise de saúde pública também", diz o documento. O relatório ainda classifica que o País é a "tempestade perfeita de expressão contemporânea questões: populismo autocrático, desinformação, aguda desigualdade e controle tecnológico".

Ataques à imprensa

O documento mostra ainda que em 2020 foram registradas 254 violações contra jornalistas e comunicadores. Destes, quase metade (123 violações) foram perpetradas por agentes públicos. Ao mesmo tempo, um total de 46 casos (18%) eram racistas, sexistas ou tendencioso contra a comunidade LGBTQI+.

Também em 2020, revela o documento, o presidente Jair Bolsonaro, seus ministros ou conselheiros próximos fizeram 464 declarações públicas atacando ou deslegitimando jornalistas e seu trabalho.

"Os filhos de Bolsonaro, que ocupam cargos públicos, foram os perpetradores de muitos ataques", destaca o documento.

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