Bolsonaro diz não saber o que acontece nos ministérios


(Foto: Agência Brasil)

Declaração do presidente Jair Bolsonaro, nesta segunda-feira (28), é quase uma admissão pública de que há indícios de corrupção no governo, embora ele continue negando essa possibilidade. "Não tenho como saber o que acontece nos ministérios", afirmou Bolsonaro em conversa com apoiadores, e acrescentando, numa alusão às denúncias de irregularidades na compra de vacinas contra a covid-19: "Vou na confiança em cima de ministro e nada fizemos de errado".

As negociações dos imunizantes Covaxin, da Índia, e Convidecia, do laboratório chinês SanSino, se tornaram alvos da CPI da Covid, e levaram três senadores (Randolfe Rodrigues, Jorge Kajuru e Fabiano Contarato) a apresentarem ao Supremo, nesta segunda-feira) uma notícia-crime contra Bolsonaro, por prevaricação - pelo fato de ele tomar conhecimento de indícios de corrupção e não determinar investigação.

As denúncias surgiram a partir dos depoimentos, na última sexta-feira, do deputado até então governista Luis Miranda (DEM-DF) e do irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, que apontaram graves indícios de corrupção em contrato firmado pelo ministério na aquisição da vacina Covaxin, que foram levados pessoalmente por eles ao conhecimento de Bolsonaro em encontro no Planalto.

Os imunizantes foram os mais caros adquiridos pelo governo: US$ 15 (R$ 78) e US$ 17 (R$ 88), respectivamente. Como comparação, o governo considerou "alto" o preço de US$ 10 (R$ 52) do imunizante da Pfizer, segundo o ex-ministro Eduardo Pazuello ao depor na CPI, e atrasou a compra em seis meses. Já a dose da CoronaVac custa R$ US$ 6 (R$ 31), menos da metade do preço da Covaxin e quase três vezes menos que a Convidecia.

"Eu nem sabia como é que estava a tratativa da Covaxin, porque são 22 ministérios", disse Bolsonaro, contrapondo-se à denúncia feita pelos irmãos Miranda, e prosseguindo: "Só o ministério do Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) tem mais de 20 mil obras. (O Ministério da Infraestrutura), do Tarcísio (de Freitas) não sei, deve ter algumas dezenas, centenas de obras. Eu não tenho como saber. O da Damares (Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos), o da Justiça, o da Educação. Não tenho como saber o que acontece nos ministérios, vou na confiança em cima de ministro, e nada fizemos de errado", declarou Bolsonaro.

As compras envolvem valores de R$ 1,6 bilhão (Covaxin) e R$ 5 bilhões (Convidecia).






A CPI colocou Bolsonaro no foco das apurações após as suspeitas de irregularidades no contrato para a compra, no valor de 1,6 bilhão de reais, da Covaxin.



O presidente e a Precisa Medicamentos, que representa o laboratório Bharat Biotech, responsável pela fabricação da Covaxin, negam irregularidades.



A cúpula da CPI, entretanto, avalia entrar com uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro por prevaricação no episódio da Covaxin em razão de ele supostamente não ter agido.


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