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Bolsonaro faz discurso aos palavrões e diz: 'o ditador tinha que ser eu'


(Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) falou para empresários nesta sexta-feira (26) utilizando um discurso recheado de palavrões e disse que ocupar a cadeira da presidência da República é uma "merda". Segundo a Folha de São Paulo, Bolsonaro estava visivelmente irritado, um dia após a entrevista do ex-presidente Lula ao Jornal Nacional com repercussão amplamente positiva para o candidato petista, e na qual disse que Bolsonaro "é o bobo da corte". Bolsonaro está quinze pontos percentuais atrás de Lula, segundo a última pesquisa Datafolha para a eleição de outubro.


"Se alguém acha que eu tenho amor àquela cadeira [de presidente], se puder falar palavrão aqui, vai pra ponta da praia. É uma m**da. Mas eu tenho uma coisa em mim, vou fazer a coisa certa, vou honrar aquilo que prometi", afirmou.


De acordo com a Folha, Bolsonaro disse ao menos sete palavrões ao longo da fala de improviso.


Bolsonaro também voltou a criticar ações do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que sem citar a Corte, contra o deputado Daniel Silveira (PL), que foi condenado à prisão por ofender ministros e contra empresários bolsonaristas que defendiam um golpe de estado em um grupo de WhatsApp.


"Estamos perdendo a nossa liberdade", disse o presidente sobre os dois episódios. "[...] O ditador tinha que ser eu, e não alguém que tem obrigação de defender a Constituição. E vocês sabem do que eu estou falando", emendou o presidente sem também citar nominalmente o ministro do STF, Alexandre de Moraes, que autorizou a operação da Polícia Federal contra os empresários.


O chefe do Executivo também citou o ex-presidente Lula, que disse na sabatina da Globo que criticou o orçamento secreto e disse que, se eleito, negociaria com o Congresso Nacional.


Em resposta, Bolsonaro disse aos empresários que "muita gente boa aqui sabe a dificuldade de relacionamento Executivo-Legislativo. Não é papinho de ontem 'vou conversar'. Conversar 'p**ra' nenhuma. Na prática, a realidade é uma coisa bem diferente", disse.


O grupo de convidados era pequeno, com empresários ligados ao setor do comércio e aliados políticos, como o candidato ao Governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o deputado Gil Diniz (PL-SP) e o filho 03, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, nesta sexta-feira, foi chamado de "ignorante" pelo ministro das Relações Exteriores da Argentina, Santiago Cafiero.

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