Bolsonaro: laboratórios que deveriam ter interesse em vender


(Foto: Divulgação/PR)

Nesta segunda-feira (28), o presidente Jair Bolsonaro afirmou a seguidores em Brasília que são os laboratórios que deveriam ter interesse em vender vacina contra Covid-19 para o Brasil e que nenhum deles apresentou ainda um pedido para liberação do imunizante. A fala ocorreu menos de 48 horas depois de o presidente dizer "não dar bola" se dezenas de países começaram a imunizar suas populações e dizer que "tem pressa em obter uma vacina". No dia 19, Bolsonaro disse também, em entrevista para seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), em seu canal do Youtube, que a "pressa para a vacina não se justifica".

"O Brasil tem 210 milhões de habitantes, um mercado consumidor de qualquer coisa enorme. Os laboratórios não tinham que estar interessados em vender para gente? Por que eles, então, não apresentam documentação na Anvisa? Pessoal diz que eu tenho que ir atrás. Não, não. Quem quer vender, se eu sou vendedor, eu quero apresentar", afirmou nesta segunda-feira o presidente da República.

Depois, Bolsonaro voltou a falar do assunto: "Botei hoje nas mídias sociais que eu falei que não estava preocupado com pressão. Falei mesmo porque nós temos que ter responsabilidade, certas coisas não podem ser correndo, você está mexendo com a vida do próximo. A imprensa desceu o cacete em mim. Agora, se eu vou na Anvisa, que é um órgão de Estado 'corre aí, não sei o que lá', eu estou interferindo."

A realidade

Na realidade, o governo brasileiro apostou praticamente todas as suas fichas na vacina de Oxford, desenvolvida pela farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca. Em 31 de julho, o governo assinou um contrato com a farmacêutica, através da Fiocruz, que envolve a entrega de 100 milhões de doses da vacina, transferência de conhecimento científico e um valor total de US$ 300 milhões - cerca de R$ 1,6 bilhão. Acontece que, apesar de ter sido uma das primeiras a iniciar os testes, ocorreram problemas no percurso e até agora não foram concluídas todas as fases exigidas da vacina, até que seja possível dar entrada com o pedido de autorização junto à Anvisa.

Nesta segunda-feira, a farmacêutica norte-americana Pfizer, cujo imunizante desenvolvido em parceria com a alemã BioNTech foi aprovado pelas principais agências de saúde do mundo, como a FDA, dos EUA, e a Comissão Europeia de Saúde, divulgou uma nota para informar que a Anvisa exigiu uma série de "análises específicas" para liberação emergencial da vacina no Brasil e que, por enquanto, seguirá com o pedido por outro formato, o de submissão contínua. Ou seja, a farmacêutica vai enviar documentos aos poucos, enquanto faz estudos e levanta dados para responder integralmente a agência brasileira.

Enquanto isso, cerca de 40 países já começaram suas campanhas de vacinação com os imunizantes da Pfizer/BioNTech, da Moderna, da Sputnik e da Sinovac.

Memorando de intenções

Em 10 de dezembro, o Ministério da Saúde anunciou que assinou o "memorando de intenções" para a compra de 70 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech. De acordo com a farmacêutica, uma reunião foi realizada com a Anvisa quatro dias depois. Devido à quantidade de documentos exigidos para o pedido de uso emergencial, a Pfizer informou que o formato de submissão contínua parece ser mais rápido.

"A submissão de uso emergencial também pede detalhes do quantitativo de doses e cronograma que será utilizado no país, pontos que só poderão ser definidos na celebração do contrato definitivo", explicou em nota, lembrando que o governo brasileiro ainda não assinou oficialmente um contrato com a Pfizer, apenas demonstrou a intenção de compra. "A farmacêutica continua em negociações com o governo federal para o fornecimento de sua vacina contra a Covid-19".

Segundo o site G1, no mesmo dia em que anunciou o "memorando de intenções" para a compra da vacina da Pfizer, o Ministério da Saúde informou que também há um acordo semelhante para uso da CoronaVac, da chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan. A vacina tem contrato de fabricação já firmado com o governo do estado de São Paulo.

Mourão com Covid-19

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, 67 anos, testou positivo para Covid-19 neste domingo (27). A informação foi confirmada através de uma nota divulgada pela assessoria. Ainda de acordo com a assessoria, nesta segunda-feira seu estado de saúde é considerado bom. Mourão ficará em isolamento no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.

1/3
300x250px - para veicular a partir do di

 Conheça a nova Scooter Elétrica

Não precisa de CNH, sem placa e sem IPVA

Leia também: