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Bolsonaro, maior influenciador da cloroquina no mundo


(Reprodução)

Líder do povo brasileiro no combate à pandemia da covid-19? Não. A liderança do presidente Jair Bolsonaro na pandemia é outra. Ele lidera, sim, nas redes sociais, o ranking global de disseminação de informações falsas sobre o uso da cloroquina - remédio sem eficácia científica comprovada contra a Covid-19 e cujo uso não é recomendado pelas autoridades de saúde. A comprovação foi feita por meio da ferramenta CrowdTangle apontando que as postagens feitas pelo presidente brasileiro sobre o assunto desde o início da pandemia geraram cerca de 11 milhões de interações e 1,7 milhão de compartilhamentos. As informações foram levantadas pelo jornal O Estado de S. Paulo neste domingo (6).

Até março deste ano, considerando os 100 textos no Facebook com mais interações sobre cloroquina desde o início da crise sanitária, Bolsonaro foi o autor de 42 postagens – quatro em cada dez - sobre o tema. Ele ficou à frente do ex-presidente americano Donald Trump, que registra 1,1 milhão de interações, e até da Organização Mundial da Saúde (OMS), com 491 mil.

A disseminação de informações falsas sobre o uso da cloroquina não ficou restrita a Bolsonaro. Segundo a reportagem, as redes sociais de parlamentares brasileiros publicaram quase 4,5 mil textos com os termos “cloroquina” e “hidroxicloroquina” (um derivado da droga) desde março de 2020. Estas postagens geraram 43 milhões de interações.

Entre os 100 posts mais populares da lista, 96 foram postados por integrantes da base do governo, três de um deputado independente e apenas um foi feito por um deputado de oposição. Neste quesito, o ranking é liderado pela deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (3,6 milhões de interações) e os filhos 01 e 02 do presidente, Flávio e Eduardo Bolsonaro com, respectivamente, 379 mil e 850 mil interações.

Bolsonaro também aparece como um dos políticos que geraram mais engajamento ao fazer postagens sobre outros medicamentos rechaçados para uso contra a covid-19, como a ivermectina (157 mil interações), azitromicina (750 mil) e nitazoxanida (231 mil).

A CPI da Covid anunciou neste sábado (5) que o foco das investigações a partir desta semana será a existência de um “ministério paralelo” que assessorou Bolsonaro no enfrentamento à pandemia e incentivou o uso da cloroquina, por meio do Kit Covid (tratamento precoce), além de desqualificar a eficiência do uso de vacinas.

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