Bolsonaro mente no discurso da ONU

Atualizado: 23 de set. de 2020

"Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade", dizia o ministro da propaganda na Alemanha Nazista, Joseph Goebbels. O presidente Jair Bolsonaro tem levado a máxima a sério não é de agora. Hoje pela manhã, no discurso de abertura da 75ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ele não fez diferente. Em tom negacionista e autoritário, mentiu sobre as queimadas, sobre a atuação de seu governo no combate à pandemia e até sobre o auxílio emergencial, cujas parcelas, segundo afirmou, teriam sido de 1 mil dólares, e não de R$ 600.


Discurso de Bolsonaro na ONU está distante da realidade. Reprodução

Índios que queimam a Amazônia, floresta úmida que não pega fogo, investimento em cloroquina como melhor medida no combate à pandemia, assistência aos povos indígenas, tolerância zero com crimes ambientais. Foram muitos os argumentos do presidente para tentar criar um cenário distante da realidade, em um discurso que não foi dirigido à comunidade internacional, mas, sim — e como sempre — aos seus apoiadores no Brasil.


Colocando-se no papel de vítima de uma campanha de desinformação feita contra o seu governo, afirmou que as riquezas da Amazônia despertam interesses estrangeiros e escusos, minimizou o impacto das queimadas e negou que esteja sendo negligente na adoção de medidas ambientais.


"A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil", disse ele.


Bolsonaro também destacou o sucesso do agronegócio brasileiro, que segue "respeitando a melhor legislação ambiental do planeta".


"O Brasil desponta como o maior produtor mundial de alimentos. E, por isso, há tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso meio ambiente", defendeu.


As queimadas, segundo ele, se dão por condições espontâneas e naturais. Ou pela atuação de índios e caboclos.


"Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas".


Disse, ainda, que cumpriu reformas como a da Previdência, colocando o país no caminho da entrada na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Na tentativa de mostrar que o Brasil está aberto a investimentos e maior participação no mercado mundial, ele afirmou que a pandemia "deixou a lição" de que não é possível depender de poucas nações para a produção de insumos.


E citou como exemplo a hidroxicloroquina, medicamento para malária, sem eficácia comprovada contra a Covid-19. Em seguida, enalteceu a capacidade brasileira na exportação de alimentos.


No caso da pandemia, o presidente jogou a responsabilidade das regras de isolamento social para os estados. E elencou medidas tomadas por seu próprio governo.


"Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema 'fique em casa' e 'a economia a gente vê depois', quase trouxeram o caos social ao país", afirmou.


Adotando um modo menos agressivo e ideológico do que em seu discurso no ano passado, quando respondeu duro aos ataques de outros países contra as falhas de sua gestão ambiental, Bolsonaro desta vez ficou na defensiva e poupou as críticas. Preferiu posar de vítima. Ainda assim, usou o plenário da ONU como palanque político, como era de se esperar.

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