Bolsonaro muda cúpula do Mercosul por visita de Lula à Argentina


Presidente da Argentina, Alberto Fernandez, publicou foto em rede social sobre encontro com Lula (Reprodução)

Com a substituição, presidente estaria tentando diminuir a visibilidade da cúpula e consequentemente do presidente argentino, Alberto Fernández, com quem já não tem muita afinidade.

Na sexta-feira que vem, dia 17, será realizada a cúpula do Mercosul. Em um primeiro momento, o encontro entre os líderes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai seria presencial, entretanto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) resolveu mudar os planos uma semana antes.

Agora, o encontro será virtual, e o motivo seria a visita do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à Argentina. Lula, acompanhado do seu ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, se encontrará com Alberto Fernández e Cristina Kirchner, e ficará em terras argentinas até segunda-feira (13), de acordo com reportagem do Globo.

Na agenda do ex-presidente estão marcadas reuniões com sindicalistas e, possivelmente, com políticos uruguaios.

A vice-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou pelas redes sociais a presença de Lula na Argentina para as comemorações do Dia da Democracia, celebrado nesta sexta-feira (10).

Em vídeo, Cristina recorda que nesta data, argentinos e argentinas sempre se encontravam na Praça de Mayo, em Buenos Aires, para comemorar a democracia e os direitos humanos. "Nesta sexta, vamos voltar à praça para celebrar. Vamos estar com Alberto [Fernández] e com Lula", afirma.

A relação entre Lula, Fernández e Cristina é antiga. O presidente argentino visitou o ex-presidente na prisão, em plena campanha eleitoral em seu país, em 2019. Um dos primeiros que telefonou para Lula depois da anulação de seus processos no Supremo Tribunal Federal (STF) foi o chefe de Estado argentino, fato destacado pelo ex-presidente em seu primeiro discurso fora da prisão. A sintonia entre ambos é pública e notória, e a viagem de Lula à Argentina, argumentam fontes do PT, não tem nada a ver com Bolsonaro.

A nova investida de Lula no exterior após agendas de sucesso na Europa, teria irritado Bolsonaro e diante disso resolveu diminuir a visibilidade da cúpula e de Fernández, com quem não tem afinidade ideológica.

Em junho, o presidente brasileiro fez comentários hostis sobre o presidente argentino, comparando-o a Nicolás Maduro, presidente da Venezuela que sucedeu o governo bolivariano de Hugo Chavez, e dizendo que "para os dois não há vacina", conforme noticiado na época. Entretanto, Bolsonaro já foi um grande admirador de Hugo Chavez, chegando a dizer que era uma “esperança para a América Latina”. Então deputado, Jair Bolsonaro ainda classificou o venezuelano, morto em 2013, como uma “pessoa ímpar”, afirmou que “gostaria muito que sua filosofia chegasse ao Brasil” e disse que não era anticomunista. Meses após Chávez assumir o poder pela primeira vez, Bolsonaro disse acreditar que ele faria na Venezuela o que os militares fizeram no Brasil em 1964. “Ele não é anticomunista e eu também não. Na verdade, não tem nada mais próximo do comunismo do que o meio militar. Nem sei o que é comunismo hoje em dia", disse Bolsonaro na ocasião.




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