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Bolsonaro promoverá 'tratoraço' junto a blindados no 7 de Setembro

Atualizado: 26 de ago. de 2022


(Foto: Isac Nóbrega/PR)

Em meio aos preparativos para o desfile do dia 7 de setembro, o presidente, Jair Bolsonaro (PL), além de pedir o aparato da Marinha e da Força Aérea, solicitou que outro grupo esteja presente no evento: o do agronegócio.


De acordo com a Folha de São Paulo, o mandatário pediu a ruralistas que o apoiam para enviarem 28 tratores ao desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.


Serão mais de 5.700 pessoas desfilando a pé, em viaturas ou a cavalo, entre elas, estão integrantes das três Forças, além de policiais federais, rodoviários federais, bombeiros, veteranos, estudantes de escolas públicas do Distrito Federal, entre outros. Os tratores devem ser incluídos na exibição oficial. Segundo aliados do Planalto citados pela mídia, a ideia é que eles representem a pujança do agronegócio para a economia brasileira.


Além de disponibilizar os tratores, os ruralistas devem levar para a Esplanada o carro de som para que o chefe do Executivo possa discursar.


Segundo integrantes do governo, o apoio do agronegócio ocorre por meio do Movimento Brasil Verde e Amarelo - grupo bolsonarista da classe que participou nos atos do 7 de Setembro do ano passado, quando manifestantes e o próprio presidente atacaram instituições, entre elas o Supremo Tribunal Federal (STF).


Os 28 tratores previstos para o desfile oficial já são uma novidade deste ano, mas a ideia inicial era de que fossem muito mais. O Planalto queria levar 300 veículos desse tipo, mas a organização argumentou que era preciso reduzir o número.


A justificativa para o número de tratores é que o maquinário do campo deve representar os estados da federação - o 28º foi escalado para guiar os demais no desfile.


Aliados de Bolsonaro estão receosos com o tom que as manifestações podem tomar neste ano. Em 2021, a data foi marcada por ataques de Bolsonaro contra o Judiciário. Para este ano, inicialmente a ideia era que Bolsonaro desse um tom mais protocolar para o desfile em Brasília e deixasse declarações políticas para o evento no Rio de Janeiro.


Entretanto, com a ação da PF na terça-feira (23) de cumprir mandatos de busca e apreensão contra empresários bolsonaristas, a breve trégua entre Executivo e Judiciário foi abafada e apoiadores do presidente ganharam ainda mais impulso para colocar toda energia nos eventos do Dia da Independência.


'Tratoraço'

Mas, além do sucesso do agronegócio brasileiro, os tratores ganharam também um outro significado no governo Bolsonaro, e, segundo integrantes da , o "tratoraço" marqueteiro misturado aos blindados militares pode ganhar duplo sentido. "Tratoraço" foi também uma designação para uma série de denúncias sobre suspeitas de superfaturamento na compra de tratores com verbas do orçamento secreto na gestão do atual mandatário.


Em 18 de agosto, por exemplo, uma reportagem do Globo mostrou que a Controladoria Geral da União (CGU) apontou risco de sobrepreço no contrato de R$ 62 milhões firmado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) para a compra de tratores com uma empresa registrada em nome de uma mulher, de 21 anos de idade, que trabalha como diarista. A CGU identificou risco de superfaturamento de R$ 11,8 milhões no contrato firmado pela estatal, assinado em março deste ano para o fornecimento de 325 tratores. De acordo com a CGU, o preço estipulado pela empresa em nome da diarista é de R$ 190 mil por trator, embora a própria Codevasf comprasse o mesmo tipo de equipamento por valores que variavam de R$ 93 mil a R$ 115 mil na época da licitação. Esse não foi o primeiro caso de suspeitas relacionadas à Codevasf e às compras milionárias com recursos do orçamento secreto - verbas destinadas a deputados e senadores aliados do governo Bolsonaro em troca de apoio no Congresso.

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