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Bolsonaro quer voto de nordestinos, xingados pelos bolsonaristas


(Reprodução)

Com uma diferença de mais de seis milhões de votos no primeiro turno (48,4% do total para Lula (PT) e 43,2% para Bolsonaro (PL)), os candidatos começaram a articular estratégias para trazer eleitores que votaram em Ciro Gomes (PDT) ou Simone Tebet (MDB), ao mesmo tempo que tentam trazer eleitores que não votaram em nenhum dos dois e não têm simpatia pelo PT ou pelo PL.


Uma das primeiras ações do atual presidente, segundo o Globo, foi destacar uma espécie de força-tarefa evangélica, numa mistura de política e religião, para tentar diminuir em seu favor a diferença de votos no Nordeste, onde Lula ganhou em todos os estados. A região é o local onde o presidente Jair Bolsonaro tem maior rejeição e foi amplamente superado. Na comparação entre os dois, Lula teve 2,5 vezes mais votos na região que Bolsonaro: 21.753.139 votos contra 8.787.394 - vantagem de 12,9 milhões de votos para o ex-presidente.


Mas assim como em 2018, o resultado do primeiro turno gerou uma onda de ódio, xenofobia e até ameaças de morte contra nordestinos nas redes sociais. Uma enxurrada de xingamentos como "nojentos" e "imbecis", acompanhados de frases xenofóbicas como "O nordestino merece seca", "Nordeste sempre ferrando o Brasil" e "Brasil não pode mais ter despesas com esses vermes", infestaram as redes bolsonaristas após a apuração dos votos no último domingo. Bolsonaro também já usou termos preconceituosos e pejorativos em relação a nordestinos, como "pau de arara" e "cabeça chata", em outras ocasiões.


Para não se expor pessoalmente, Bolsonaro designou os deputados Otoni de Paula e Marco Feliciano e os senadores eleitos Damares Alves e Magno Malta, todos do PL e todos pastores, para rodarem já a partir desta semana tantos templos evangélicos quanto puderem na região onde ele teve o seu pior desempenho no primeiro turno.


Outro ponto de foco de Bolsonaro serão as periferias, uma vez que a avaliação de sua equipe é que Lula ainda lidera entre os mais pobres. Neste momento, a análise é que menos motociatas devem ser feitas para investir em eleitores que ganham até dois salários mínimos, conforme relata a Folha de São Paulo.


Nesta terça-feira (4), o governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou seu apoio a Bolsonaro no segundo turno.


Também nesta terça, após o presidente do Cidadania, Roberto Freire, confirmar apoio do seu partido a Lula, o PDT também anunciou que vai apoiar Lula no segundo turno. O presidente do partido, Carlos Lupi, justificou o apoio afirmando que a candidatura do petista é considerada a mais próxima do que a sigla defende.


Mais tarde, foi a vez de Ciro Gomes informar que acompanhará a decisão do partido em apoiar Lula no segundo turno. Sem citar o nome de Lula, Ciro disse: "Acompanho a decisão do meu partido. Frente às circunstâncias, essa é a última saída".


A estratégia do ex-presidente segue em buscar o apoio também de Simone Tebet (MDB), terceira colocada no primeiro turno, com quase 5 milhões dos votos. PSDB e União Brasil também estão na mira de Lula.


O foco também será conversar com aqueles que "parecem não gostar da gente", afirmando que a busca por apoios não será "ideológica" e acrescentando que haverá "menos conversa entre nós e mais conversa com o eleitor".


"Não precisa conversar com quem a gente já conhece e sabe que já votou e vai votar na gente. Aqueles que parecem que não gostam da gente, que não votam na gente, que não gostam dos nossos partidos, é com esses que vamos conversar", disse Lula.


O segundo turno acontece no dia 30 de outubro e, além da corrida presidencial, ainda há a definição de governo para importantes estados como o governo de São Paulo entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do Rio Grande do Sul com Onyx Lorenzoni (PL) e Eduardo Leite (PSDB).


Outros dez estados aguardam o segundo turno para definir seus governadores:

Alagoas – Paulo Dantas (MDB) X Rodrigo Cunha (União Brasil)

Amazonas – Wilson Lima (União Brasil) X Eduardo Braga (MDB)

Bahia – Jerônimo Rodrigues (PT) X ACM Neto (União Brasil)

Espírito Santo – Renato Casagrande (PSB) X Carlos Manato (PL)

Mato Grosso do Sul – Renan Contar (PRTB) X Eduardo Riedel (PSDB)

Paraíba – João Azevedo (PSB) X Pedro Lima (PSDB)

Pernambuco – Marília Arraes (Solidariedade) X Raquel Lyra (PSDB)

Rondônia – Marcos Rocha (União Brasil) X Marcos Rogério (PL)

Santa Catarina – Jorginho Mello (PL) X Décio Lima (PT)

Sergipe – Rogério Carvalho (PT) X Fábio Mitidieri (PSD)


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