Bolsonaro recebe medalha sob coros de 'genocida' e 'mito'


Deputados repudiam medalha do Mérito Legislativo entregue a Bolsonaro (Reprodução)

Sob gritos de "genocida" por parte de deputados da oposição e de "mito", pelos aliados, o presidente Jair Bolsonaro recebeu nesta quarta-feira (24) a medalha do Mérito Legislativo, entregue pela Câmara dos Deputados. A medalha é concedida a autoridades, personalidades, instituições ou entidades que tenham prestado serviços relevantes ao Poder Legislativo ou ao Brasil.

O presidente foi indicado para receber a medalha pelo deputado Vitor Hugo (PSL-GO), líder do partido na Câmara.

Apesar de a Câmara ter determinado que apenas pessoas com comprovante de vacinação podem ter acesso aos espaços da Casa, a regra foi ignorada para permitir que Bolsonaro pudesse entrar e participar da solenidade realizada no plenário.

Bolsonaro disse estar honrado com a condecoração, lembrou já ter participado do parlamento e que espera interagir mais com os deputados.

“Só podemos pensar em um Brasil melhor a partir do momento que nós estivermos perfeitamente sintonizados. É dessa forma que se constrói uma grande nação e nós temos potencial para isso e muito mais”, disse.

O presidente da Casa, Arthur Lira disse que o agraciado com a medalha auxiliou o parlamento a atravessar a pandemia de covid-19, que classificou como tempestade perfeita, "com mortes, inflação, desemprego e impactos sobre a economia".

“Em meio à fúria dessa tempestade sem precedentes, o parlamento brasileiro permaneceu firme como um farol, iluminando o caminho a ser seguido”, disse.

Durante as falas que precederam a entrega de medalha, a segunda secretária da Câmara, deputada Marília Arraes (PT-PE), a quem coube organizar a premiação, fez um discurso com recados duros a Bolsonaro, que estava sentado próximo a ela.

“O poder Executivo, eleito de maneira majoritária, também deveria se comportar como representante do povo. Mas, muitas vezes, este pretenso povo age antidemocraticamente, quando animado por espírito sectário, taxando como inimigos e excluindo os divergentes da entidade unitária e mítica da qual julgam fazer parte aqueles que não se encontram dentro de seu cercadinho mental. E isso ocorre porque nem sempre democracia e vontade popular convergem”, disse.

A deputada citou ainda o relatório da Global State Of Democracy 2021, publicado pelo Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA), sediado em Copenhague na Dinamarca, que aponta para um declínio da democracia no Brasil.

“O documento cita nominalmente o Presidente da República, apontando sua ameaça de descumprir decisões do STF [Supremo Tribunal Federal], tentativas de apagamento de vozes críticas, divulgação de fake news, má gestão da pandemia, entre outros, de maneira que testou explicitamente as instituições democráticas brasileiras. Nestes tempos, portanto, a Medalha do Mérito Legislativo se reveste de um simbolismo ainda maior, pois o parlamento é o grande bastião da democracia”, disse Marília Arraes.

O deputado José Guimarães (PT-SP) usou sua conta em rede social para publicar um vídeo e comentar sobre a homenagem.

"Ao som de GENOCIDA, Bolsonaro chega ao plenário da Câmara dos Deputados para receber uma medalha concedida pelos próprios bolsonaristas. Antes, @MariliaArraes que faz parte da Mesa Diretora, fez um discurso ótimo contra os negacionistas e divulgadores de fakenews."

A ex-deputada Manuela D'Àvila (PCdoB) também fez crítica e publicou um vídeo da breve manifestação dos deputados, contra e a favor de Bolsonaro.

'R$ 10 milhões por voto'

Na semana passada, o deputado ex-bolsonarista Delegado Waldir (PSL-GO) entregou em detalhes como funciona o esquema de compra de votos no Congresso Nacional por meio de emendas do chamado “orçamento secreto“. O esquema é chamado de "bolsolão" pela oposição. Foram R$ 20 bilhões no ano passado e R$ 16 bilhões previstos neste ano. O parlamentar, que já foi fiel escudeiro de Bolsonaro, listou cifras e disse em entrevista ao The Intercept Brasil que o governo pagou R$ 10 milhões em emendas por deputado para a eleição do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e R$ 20 milhões por voto para aprovar a Reforma da Previdência.



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