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Bolsonaro troca cloroquina por spray nasal


(Reprodução)

Com o fracasso da atuação do governo federal no combate ao novo coronavírus e em vias de paralisação das imunizações por falta de vacinas no país, o presidente Jair Bolsonaro parece ter adotado um novo xodó em lugar da desgastada cloroquina no enfrentamento à pandemia. Neste domingo (14), ele postou em uma rede social que conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para que o Brasil participe de testes do spray nasal EXO-CD24, que, segundo ele próprio escreveu, "vem obtendo grande sucesso no tratamento da Covid-19 em casos graves".

O novo remédio "milagroso" do presidente, porém, não tem sua eficácia comprovada pela ciência. Nesta segunda-feira, contudo, ele voltou ao assunto para dizer que o spray tem eficácia "próxima de 100%" e que será enviado, em breve, um pedido de aprovação da Anvisa para uso emergencial.

Durante um estudo clínico de fase I do EXO-CD24 realizado em Israel, o primeiro a testar o medicamento em humanos, os cientistas assinalaram que 29 dos 30 pacientes que receberam o spray nasal, todos com casos entre moderados e graves da doença causada pelo novo coronavírus, receberam alta médica entre três e cinco dias depois do tratamento.

O estudo, no entanto, não só em Israel como em várias partes do mundo, está apenas em fase inicial, e não foram feitas pesquisas com base no padrão-ouro dos ensaios clínicos, que consistem em testes controlados, randomizados e de duplo-cego, para avaliar a eficácia do medicamento contra a Covid-19.

O medicamento EXO-CD24 consiste em um spray nasal cujo objetivo é impedir uma reação exacerbada do sistema imune durante a infecção causada pelo novo coronavírus, que faz com que o organismo ataque o próprio corpo, e não o vírus.

Mesmo para ter o uso emergencial aprovado pela Anvisa o medicamento precisa apresentar estudos de fases 2 e 3. O uso do medicamento em larga escala, ainda que a eficácia seja comprovada, levará meses.

Depois de quase um ano atuando contra o isolamento social, boicotando a compra de vacinas e a confiança da população em sua necessidade e eficiência e fazendo propaganda e mandando o Exército produzir comprimidos de hidroxicloroquina aos milhões, Bolsonaro ainda crê em um remédio "milagroso" para salvar sua popularidade em queda. Enquanto o Plano Nacional de Imunização patina e o estoque de vacinas começa a acabar no país, no mesmo momento em que picos de médias diárias chegam a quase 1.500 mortes e a nova cepa do Amazonas espraia-se a outros estados da federação.

 
 
 

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