Bolsonaro utiliza projetos do PT no Nordeste mirando votos


(Foto: Alan Santos/PR)

Na manhã desta terça-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciou uma viagem pelo Nordeste para participar de entregas de obras da transposição do Rio São Francisco. Em seguida, Bolsonaro tem agendas no Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco.

A inauguração e as visitas aos estados fazem parte da estratégia de Bolsonaro para angariar eleitorado na região, e não só para isso, ele tenta associar sua imagem com méritos por projetos iniciados em gestões anteriores do PT, sobretudo a do ex-presidente Lula.

Ao mesmo tempo, tenta abrandar sua grande rejeição entre a população local que majoritariamente apoia o petista, e a qual possivelmente aumentou sua reprovação quando em uma live, no dia 3 de fevereiro, Bolsonaro chamou assessores nascidos em estados do Nordeste de "pau de arara". Nesta terça-feira, o presidente voltou a repetir o termo e ainda ampliou as ofensas, referindo-se aos nordestinos "pau de arara", "cabra da peste", arataca" e "cabeçudo".

A disputa pela "paternidade" do projeto começou a crescer no fim de 2019, com as primeiras entregas de trechos concluídos após anos em execução, conforme informações do UOL.

Em vídeos compartilhados desde 2020, Bolsonaro já buscava se apresentar como protagonista da transposição do rio São Francisco, mas omitia ter começado a sua gestão, em janeiro de 2019, com mais de 90% das obras praticamente executadas.

Além das obras do São Francisco, uma das principais marcas dos governos do PT, outros recursos lançados recentemente pelo presidente têm bases petistas, como o Auxílio Brasil – novo nome para o Bolsa Família – e as alterações no programa do Fies para estudantes.

Ainda assim, Bolsonaro ainda obtém baixa popularidade no Nordeste. Em pesquisa de dezembro feita pelo Datafolha, Lula tem 61% das intenções de voto na região (44 pontos percentuais a mais que Bolsonaro, que registrou 17%). A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos.

Farsa frango com farofa

Na semana passada, após a revelação de que o atual presidente gastou quase R$ 30 milhões em três anos com cartões corporativos - mais do que Dilma e Temer em quatro anos -, Bolsonaro apareceu em um vídeo todo lambuzado comendo frango com farofa com as mãos em uma barraca em Brasília. O objetivo era passar a ideia de um homem simples do povo - como se pobre não possuísse higiene e bons modos para comer -, para fazer contraponto da repercussão negativa dos gastos reais exorbitantes do cartão corporativo presidencial. Rapidamente, as redes sociais denunciaram a tentativa de marketing por trás daquela cena forçada, que na verdade foi filmada pela equipe de assessores sob coordenação do filho 02, vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), que cuida do marketing do pai nas redes: a farsa viralizou.


Com a Sputnik


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