BR Distribuidora: demissões e super salários para diretores


(Divulgação)

Um ano e quatro meses após ser privatizada pelo governo, a BR Distribuidora já reduziu salários e demitiu centenas de trabalhadores e, em contrapartida, criou super salários, aumentando em 272% os rendimentos nababescos de seus diretores. A denúncia, feita pelo Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo, foi compartilhada pelo ex-ministro e líder do PDT, Ciro Gomes, em sua conta no Twitter, com uma única palavra: "Banditismo!".

De acordo com a entidade, pouco mais de 16 meses após a venda do controle da Petrobras Distribuidora - então maior subsidiária da Petrobras e a maior do setor de distribuição de combustíveis no país - as mudanças significativas que ocorreram foram nas remunerações e bonificações aos integrantes da diretoria, que dispararam na mesma proporção que os salários dos trabalhadores despencaram.

Só neste ano, de acordo com o sindicato, serão desembolsados quase R$ 52 milhões para remunerar 17 administradores - nove membros do Conselho de Administração, cinco da Diretoria Estatutária e três do Conselho Fiscal -, incluindo salários, benefícios, bônus e ações, que correspondem a uma média anual de R$ 3.054.146,05 para cada executivo - ou 272% a mais que o valor despendido no ano passado, quando a empresa ainda pertencia à Petrobras, que foi de R$ 13,9 milhões..

Por outro lado, 1.030 trabalhadores tiveram reduções salariais a partir de janeiro deste ano. Alguns cortes chegaram a 50% dos honorários mensais, limite estabelecido no Acordo Coletivo assinado em fevereiro, que contou com a mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Além disso, segundo os petroleiros, apenas em 2019 houve o desligamento de 860 trabalhadores próprios, o que representou uma diminuição de 27,4% do quadro de funcionários. Para este ano, de acordo com as Demonstrações Contábeis, estava prevista a saída de mais 337 pessoas.

Desmonte

Até 2017, a Petrobrás detinha 100% da BR Distribuidora, até então subsidiária integral da estatal, quando se desfez de 29% da empresa. Não satisfeita, a gestão da petroleira vendeu mais 30% das ações da BR, perdendo seu controle acionário.

Em agosto deste ano, em plena pandemia do novo coronavírus, o Conselho de Administração da Petrobrás aprovou a venda da integralidade de sua participação, que hoje é de 37,5%, por meio de oferta pública secundária de ações.

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