Brasil registra a maior inflação em quase 30 anos


(Reprodução)

A inflação subiu 1,62%, a maior alta para um mês de março em quase 30 anos, desde 1994 (42,75%), antes da implantação do plano Real. É também a maior inflação mensal desde janeiro de 2003 (2,25%).

A inflação oficial acumulada em 12 meses registrou, em março, taxa de 11,3%. Essa é também a maior variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde 2003, quando havia ficado em 13,98%.

Desde setembro do ano passado, a taxa acumulada em 12 meses está acima dos 10%. Entre dezembro de 2003 e agosto de 2021, o IPCA só havia superado a barreira dos 10% por quatro meses, entre novembro de 2015 e fevereiro de 2016.

O resultado também está bem acima da meta de inflação, estabelecida pelo Banco Central, que previa entre 2% e 5% para 2022.

A inflação para os mais pobres (famílias com renda de até 5 salários mínimos), apurada pelo INPC subiu ainda mais: 1,71% e um acumulado de 11,7%.

Alimentação, transportes (sobretudo os combustíveis) e habitação (principalmente, a energia elétrica) registram altas de preços acima da média da inflação oficial.

Os preços dos alimentos, por exemplo, subiram 11,62% em 12 meses. Cenoura (166,17%) e tomate (94,55%), sem falar no arroz e na carne, viraram novos símbolos da carestia no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os transportes acumulam alta de preços de 17,37% em 12 meses, puxados pela explosão de aumentos dos combustíveis (27,89%). A gasolina subiu 27,48%, o óleo diesel, 46,47% e o etanol, 24,59%. Também se destacam o transporte por aplicativo (42,74%) e o seguro voluntário de veículos (16,43%).

Já os gastos com habitação tiveram aumento de 15%, com variações de preços de 28,52% para energia elétrica residencial e de 29,80% para os combustíveis domésticos, o que inclui o gás de cozinha.

Os itens monitorados, isto é, aqueles que têm preço regulado por autoridades governamentais, acumulam alta de 14,84% no ano.

Difusão da inflação

Em março, o IPCA registrou taxa mensal de 1,62%, a maior taxa para o mês desde o início do Plano Real, em 1994. Segundo o pesquisador do IBGE Pedro Kislanov, os combustíveis tiveram um destaque no mês, não apenas para aumentar a taxa dos transportes como também de outros itens.

“Em março, há um efeito da alta dos combustíveis, principalmente da gasolina e do diesel, que aumentam o custo do frete, sobre outros componentes do IPCA, como por exemplo, a própria parte de alimentação e bebidas. Há um componente do custo de frete que acaba sendo repassado para o consumidor”, explica.

O índice de difusão da inflação, que mostra o percentual de itens que tiveram aumento de preços no mês, chegou a 76%, o maior desde fevereiro de 2016.

Toda Palavra_Banner_300x250_Celular.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg