Brasil tem 14,8 milhões sem emprego e governo nega

Atualizado: 31 de jul. de 2021

Diante dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (30/7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontando para 14,8 milhões de desempregados no país, o ministro da Economia, Paulo Guedes, mais uma vez desqualificou a instituição. Guedes, que promove o desmonte do órgão desde que assumiu a pasta, afirmou que o IBGE "está na Idade da Pedra Lascada". E usou números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) para criar a falsa ideia de recuperação da economia e crescimento do mercado de trabalho.

Foto: Agência Brasil / Arquivo

“Nós criamos 300 mil empregos em junho [com base nos dados do Caged]. Desde que a covid nos atingiu, já criamos 2,5 milhões de novos empregos. A Pnad do IBGE está muito atrasada metodologicamente, pesquisa feita por telefone… É muito superior a metodologia do Caged, ela vem direto das empresas. Nós vamos ter inclusive que rever, acelerar os procedimentos do IBGE porque ele ainda está na idade da pedra lascada, baseada ainda em métodos que não são os mais eficientes. [Com o Caged], nós temos informações direto das empresas”, discursou ele em evento no Rio de Janeiro.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O ministro voltou a afirmar que “o Brasil está crescendo em ritmo acelerado” e prometeu criar “um milhão e meio de empregos neste ano”. A pesquisa do Pnad, entretanto, mostra um cenário um pouco diferente das pretensões milagrosas de Guedes. Apenas nos últimas três meses cerca de 200 mil brasileiros ficaram sem trabalho.


Distorções


O artifício comparativo entre os dois índices (Pand Contínua e Caged) tem sido usado pelo Ministério da Economia para desviar as atenções da grave realidade do desemprego que se abate sobre o Brasil .


Os números do Caged, contabilizados pelo próprio ministério, são enviados pelas empresas e consideram apenas trabalhadores com carteira assinada. Já os dados da Pnad Contínua do IBGE são bem mais abrangentes, levam em conta também os trabalhadores jogados na informalidade e os desalentados.


De acordo com o ex-ministro do Trabalho e atual Coordenador de Emprego e Renda de Niterói, Brizola Neto, há muitas distorções na metodologia de coleta de dados do Caged, que inclui contratos temporários e intermitentes, o que contribui para inflar os números.

Brizola Neto / Arquivo Pessoal

"Se não bastassem as notificações excessivas nas admissões, há neste momento uma subnotificação nas demissões, pois muitas empresas estão encerrando suas atividades, abatidas pela crise econômica, e simplesmente deixam de prestar essas informações para o ME", explica ele.


Os dados da Pnad


Segundo os números da Pnad divulgados nesta sexta-feira, a taxa de desemprego atingiu 14,6% no trimestre ente março e maio, uma oscilação positiva de 0,2% em relação ao período anterior, o que é considerado pelos técnicos do instituto como “estabilidade”. Mais 200 mil brasileiros foram pressionados para o desemprego nesses três meses, somando 14,8 milhões de trabalhadores fora do mercado de trabalho.


No mesmo período de 2020, eram 12,7 milhões de desempregados. A Pnad revela que, de lá para cá, houve um aumento de 2,1 milhões de brasileiros sem emprego. No total, 75,8 milhões estão fora da força de trabalho. A taxa de informalidade bateu 40% da população ocupada, com 34,7 milhões de trabalhadores informais.

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