Brasil: um submarino pandêmico

Jorge Santana

Foto: Reprodução

No dia 12, de agosto de 2000, o submarino Kursk sofreu duas explosões acidentais. Uma tripulação onde 118 homens ficaram presos, aguardando socorro dentro do Kursk. Esses homens sobreviveram por 48 horas racionando água, comida e evitando movimentos aeróbicos para consumir o mínimo de oxigênio. Acabaram morrendo pelo esgotamento do oxigênio que possibilitava a manutenção da vida.


Um dos marinheiros mortos escreveu duas cartas, um relato tênue e triste da espera pelo resgaste enquanto o oxigênio tornava-se rarefeito. As cartas escritas pelo capitão serviram de testemunho dos 2 dias de agonia. Cito esse exemplo do Kursk, pois penso metaforicamente o isolamento social/pandemia como um profundo mergulho em um submarino ao fundo do oceano. Dentro dessa ideia, cada sociedade nacional está dentro de um submarino. A fase mais difícil é aquela onde a curva de óbitos por covid atinge o ápice. Em alguns países, esse ápice pode ser de 1 mil mortos por dia ou mais. A população encarcerada dentro do submarino tem apenas uma missão, que é seguir as medidas como: racionar a vontade de se comemorar aniversários, festas, ir aos restaurantes, shows, entre outros exemplos, para assim voltar a normalidade e conseguir salvar vidas.


Aqui do Brasil, quando assistíamos o submarino italiano alcançando a marca de mil óbitos diários, era angustiante. Pois bem, com erros e acertos, hoje o submergido italiano voltou à normalidade. A Espanha e a França também, tendo os franceses realizado seu primeiro jogo de futebol essa semana, dois meses após ter alcançado a marca de mil mortos. Nós ficamos chocados com a tragédia europeia, porém nos banalizamos à nossa tragédia.


Voltamos com o futebol concomitante ao padecer de mil vidas diariamente. O Brasil teve o seu primeiro dia com mais de mil mortos em 19 de maio. Dez dezenas de pessoas morrendo equivalem a: três aviões boeging 747 caindo por dia; 3 tragédias de Brumadinho por dia; e 10 chacinas do Carandiru diárias. No total, já tivemos mais mortes por covid-19 do que na Segunda Guerra Mundial, tal como na Guerra do Paraguai. Sendo essa última, o conflito bélico que mais matou brasileiros na história. Para além dos números causarem espanto, outro dado é que, no próximo dia 19 de julho (domingo), completaremos 2 ciclos lunares (2 meses) com a média de mil mortos por dia.


O que me espanta de tudo isso, voltando à metáfora do submarino, é que estamos no período mais profundo, mas as pessoas agem como se estivessem na superfície. Não conseguimos abrir mão das festas, bares, restaurantes, shows e tudo aquilo que provoca aglomerações. O nosso submarino Brasil está estacionado no lugar mais profundo do isolamento social. Não sei quando voltaremos à superfície e muito menos onde erramos como sociedade, porquê são muitos os erros que passam pelo cidadão festeiro, pelos empresários ávidos pela abertura e pelos governantes negacionistas.

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