Brasileira com Covid é retirada de avião pela polícia em Lisboa


(Reprodução)

Uma brasileira com Covid-19 foi retirada pela polícia de um avião da TAP no Aeroporto de Lisboa na última semana. Ela está obrigada a cumprir quarentena de 14 dias na capital portuguesa e foi impedida de seguir viagem ao Brasil com o marido e os dois filhos, segundo fontes ouvidas pela Sputnik.

Apesar de ter testado positivo para o novo coronavírus, a brasileira, cuja identidade não foi revelada pelas autoridades, conseguiu embarcar no voo TP1951, do Porto para Lisboa, na noite da última terça-feira (9). Quando o avião pousou na capital de Portugal, contudo, ela e seus familiares foram retirados por um forte aparato de segurança, incluindo funcionários de solo da empresa aérea, da Polícia de Segurança Pública (PSP) e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

O baiano Adriano Melo estava sentado na fileira à frente da brasileira infectada e quase foi proibido de embarcar no voo de Lisboa para Guarulhos no dia seguinte por ter tido contato próximo com ela. No entanto, os testes realizados no aeroporto deram negativo para o novo coronavírus, e ele foi autorizado a voltar ao Brasil. À Sputnik Brasil, ele conta os momentos de apreensão por que passou.

"A polícia cercou o avião, levou a família dela, e nós ficamos a esperar. Chegou muita gente do solo, três viaturas da polícia e cinco pessoas da TAP orientando uns aos outros. Os passageiros que estavam próximos a ela tiveram os dados anotados para serem contatados. À noite, me ligaram da TAP dizendo que talvez eu não pudesse voltar ao Brasil", relata Melo.

Uma fonte oficial da TAP informou à Sputnik Brasil que a companhia aérea só foi informada de que a passageira brasileira estava infectada quando o voo já estava no ar. Assim como no Brasil, em Portugal, para viajar em voos dentro do próprio país não são cobrados exames de detecção de Covid-19.

"A senhora tinha de estar isolada em casa, nem poderia sair à rua", diz a fonte da TAP, que pediu anonimato.

Em nota enviada à Sputnik Brasil, o SEF confirmou que, na sequência de uma solicitação da Autoridade de Saúde do Norte, procedeu, no Aeroporto de Lisboa, à intercepção de uma cidadã de nacionalidade brasileira e do respectivo agregado familiar que chegaram a Lisboa em um voo proveniente do Porto.

"De acordo com indicação da Autoridade de Saúde, a cidadã em causa havia testado positivo à Covid-19, e os familiares foram considerados de alto risco e não poderiam embarcar para o destino final – Brasil (voo de cariz humanitário). Foi então acionado o protocolo previsto para este tipo de situações, e os cidadãos em causa foram encaminhados para a Autoridade de Saúde no Aeroporto de Lisboa", lê-se na nota.

Já a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), subordinada ao Ministério da Saúde, informou à Sputnik Brasil que a cidadã brasileira e seu agregado familiar foram transportados em segurança para um local não revelado em Lisboa. Segundo a nota, ela se encontra confinada por estar positiva para o vírus SARS-CoV-2, e os familiares cumprem isolamento profilático durante 14 dias.

Com isso, eles não puderam embarcar no terceiro voo excepcional da TAP de Lisboa para Guarulhos, nesta segunda (15). No entanto, o órgão do Ministério da Saúde não esclareceu como eles conseguiram embarcar no Aeroporto do Porto se a pasta já tinha conhecimento de que a brasileira estava infectada.

Azul anuncia voos 'humanitários', mas volta atrás depois

Também nesta segunda (15), o governo português prorrogou a suspensão de voos entre Portugal e Brasil até 31 de março. Os voos estão suspensos desde 29 de janeiro em função da detecção de uma nova variante brasileira do SARS-CoV-2. O novo despacho foi publicado no Diário da República. Com isso, a crise provocada pela suspensão durará pelo menos dois meses desde o início, já que centenas de brasileiros e portugueses não conseguem voltar aos países onde moram.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal havia informado na última semana que as companhias aéreas brasileiras foram notificadas de que estão autorizadas a realizar voos excepcionais na mesma proporção dos voos extraordinários realizados pela TAP (três, até agora). Segundo o governo português, contudo, as empresas Azul e LATAM não haviam manifestado interesse ainda.

Na última sexta (12), a Azul informou que previa seu retorno ao país (Portugal) a partir de 17 de março com três voos semanais. A companhia ressaltou que tem trabalhado na acomodação de clientes com passagens compradas de e para a capital portuguesa. Na tarde desta segunda (15), ainda havia passagens à venda no site da Azul, de Campinas para Lisboa e também no sentido contrário, com preços a partir de € 438 (R$ 2.943) por trecho.

Na manhã desta segunda (15) Sputnik Brasil enviou o despacho do governo português para a assessoria de imprensa da Azul questionando se esses três voos semanais a partir do dia 17 de março diziam respeito à autorização excepcional do governo português, uma vez que a TAP já havia realizado três voos extraordinários. A Azul confirmou que se tratava de voos "humanitários".

Porém, 38 minutos depois, a companhia aérea enviou novo e-mail informando que os voos continuam suspensos até pelo menos 31 de março e tirou do ar as passagens que estavam à venda para esse período no site.

Já a LATAM enviou nota à Sputnik Brasil na qual diz que está atenta ao tema, em contato com os passageiros afetados e avaliando diariamente a possibilidade de realizar voos especiais entre Brasil e Portugal.

"A LATAM reitera que, em virtude das restrições governamentais, precisou suspender os voos que mantinha na rota Guarulhos-Lisboa. A retomada da operação regular desta rota está sujeita às determinações das autoridades portuguesas", lê-se na nota.

A empresa acrescenta que também oferece as seguintes alternativas para os clientes com passagens aéreas emitidas para esta rota e impedidos de voar em função das restrições: remarcação da data do voo (sem multa ou diferença tarifária); reembolso completo (sem multa); remarcação de origem/destino (sem multa e sujeito a diferença tarifária).

Paulista é barrada em Guarulhos em voo para Lisboa via Frankfurt

A LATAM também tem tentado realocar passageiros que precisam viajar entre Brasil e Portugal em rotas alternativas. Mas nem sempre dá certo. A paulista Noemi Lemos, por exemplo, havia sido realocada em um voo da Lufthansa, parceira da LATAM, com destino final em Lisboa, mas foi impedida de embarcar em Guarulhos na última sexta (12), mesmo com PCR negativo, porque havia uma conexão em Frankfurt.

A Alemanha também proibiu a entrada e transporte de viagens do Brasil em 30 de janeiro até 17 de março, com possibilidade de prorrogação. Há algumas exceções, como cidadãos alemães, residentes no país e pessoas que só mudam na área de trânsito de um aeroporto comercial da Alemanha (sem entrada no país).

No entanto, o informe publicado no site das representações diplomáticas da Alemanha no Brasil deixa claro que "os passageiros em trânsito que pousam em um aeroporto alemão e desejam fazer um voo de conexão dentro do espaço Schengen não estão incluídos nesta exceção".

"Cheguei a fazer check-in no dia anterior, só faltava despachar as malas. Na hora de despachar, na fila, o representante da Lufthansa não permitiu, disse que estava fechado mesmo para residentes [em Portugal] e que era para eu resolver com a LATAM. No balcão, a atendente me perguntou por que não me deixaram embarcar. Nem eles sabem. Vão colocando as pessoas como se estivessem desovando", reclama Noemi.

Segundo ela, a funcionária disse que os voos via Paris e Amsterdam já estavam lotados, orientando-a a procurar a central da LATAM no Aeroporto de Guarulhos. Noemi conta que outro atendente disse que não tinha voo disponível para esse mês e que as opções seriam pedir reembolso ou solicitar um voucher.

"Saí do aeroporto arrasada. Liguei para a LATAM, e nada. Mandei mensagem no Twitter, e eles me mandaram ligar para a central da LATAM. Uma palhaçada", lamenta.

Residente em Portugal, ela precisou ir ao Brasil em janeiro para resolver problemas particulares, já que não voltava ao país havia três anos. Sua passagem original de regresso a Lisboa era no dia 20 de fevereiro, mas foi cancelada duas vezes devido à suspensão de voos. Ela trabalha no ramo da hotelaria, mas está sem receber o salário por não ter conseguido retornar.

"Meu trabalho me deixou em licença sem vencimento. Nem me colocaram em layoff, não estou recebendo nada. Se eu não voltar, perco meu trabalho", explica à Sputnik Brasil.

Por isso, ela comprou outra passagem, agora pela Swiss Air, e pretende processar a LATAM.

"Vou entrar com uma ação judicial pelo transtorno todo. Quero o dinheiro até do meu teste de COVID-19, do estacionamento e danos morais. O advogado vai entrar pedindo reembolso da nova passagem também", diz Noemi.


Fonte: Agência Sputnik

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