'Cá estou carente, manda novamente algum cheirinho de alecrim'

Luiz Augusto Erthal


Há 47 anos um movimento revolucionário libertava Portugal do fascismo salazarista, que durou 41 anos (1933-1974). "Foi bonita a festa, pá", como cantou Chico Buarque na ocasião em homenagem à Revolução dos Cravos, no Brasil sob ditadura militar.

As tropas lideradas pelos "capitães de abril", tendo à frente o comandante Salgueiro Maia, tomaram em um único dia o poder das mãos de fascistas decrépitos.

O povo saiu às ruas naquele 25 de Abril para saudar os libertadores, cujos fuzís foram coroados pelos populares com cravos na boca dos canos, à guisa de baionetas caladas. Foi uma explosão de liberdade que ecoou longe, além-mar.

O capitão Salgueiro Maia (e)

A agonia do regime fascista decadente foi também a dolorosa agonia dos povos africanos, subjugados durante séculos pelo colonialismo português e que, àquela altura, se batiam em armas contra os seus opressores. A fase mais cruel da guerra colonial foi marcada por crimes horrendos.

O escritor angolano Pepetela, ganhador do Prêmio Camões, que lutava na frente leste da guerrilha do MPLA, lembra em recentes entrevistas os bombardeios sobre as plantações de mandioca, feitos de helicóptero pelas forças portuguesas com armas químicas. Assim não haveria alimento nem para os guerrilheiros, nem para o povo.

Se não fosse a África, dificilmente haveria o 25 de Abril, lembra Pepetela. A liberdade chegou também para eles, enfim.

No Brasil, o regime militar também dava os primeiros sinais de desgaste, mas ainda rugia como um leão velho acuado e deixava um rastro do sangue dos mortos e torturados em seus porões. "Cá estou carente", também dizia a canção "Tanto Mar", de Chico Buarque de Holanda

Hoje, 47 anos depoois, voltamos a estar carentes de liberdade, ameaçada despudoradamente pelo

neofascismo de Bolsonaro, que também deixa um rastro de centenas de milhares de mortes, provocadas pela política genocida do seu governo de não combate à pandemia de covid-19 no Brasil.

A democracia brasileira está por um fio mais uma vez. "Manda novamente algum cheirinho de alecriem", ó pá!


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