Cúpula do Clima: Biden deixa Bolsonaro falar ao vento


Jair Bolsonaro durante o discurso na Cúpula do Clima (Reprodução)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discursou nesta quinta-feira (22) na Cúpula do Clima sem a presença do presidente dos EUA, Joe Biden, anfitrião do evento, que teria deixado a sala com sua vice Kamalla Harris após a fala do presidente argentino, Alberto Fernández.

Ignorando o desmatamento recorde em seu governo e pedindo recursos para a Amazônia, Bolsonaro fez um breve pronunciamento, marcado por mentiras sobre dados referentes à preservação do meio ambiente, mostrando um Brasil apenas imaginário. Tratando como um feito de seu governo, Bolsonaro elogiou o Brasil por ter reduzido o desmatamento. Essa conquista foi alcançada nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff entre 2004 e 2012, quando caiu de 27 mil km² até 4,5 mil km² o desmate na Floresta Amazônica, que voltou a aumentar 10 mil km² em 2019 e 11 mil km² no ano passado.

Jair Bolsonaro prometeu eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030 e também reduzir em "quase 50%" as emissões de gases estufa até esta data e fez nova previsão para zerar as emissões: o ano de 2050.

"Coincidimos, senhor presidente [Joe Biden, organizador do evento], com seu chamado ao estabelecimento de compromissos ambiciosos. Nesse sentido, determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em dez anos a sinalização anterior. [...] Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa", afirmou Bolsonaro.

Bolsonaro conclamou a contribuição da comunidade internacional para que o Brasil atinja seus objetivos, pedindo recursos de empresas, entidades e outros países para "a solução destes problemas". O presidente que mais reduziu orçamento para o meio ambiente prometeu também dobrar o orçamento de órgãos ambientais brasileiros.

"Produzimos uma revolução verde a partir da ciência e da inovação", disse.

Bolsonaro foi um dos últimos a falar. Ele falou depois de nomes como os do presidente russo Vladimir Putin, do presidente francês Emmanuel Macron, do primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga, do primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, do presidente argentino Alberto Fernández e do presidente norte-americano, Joe Biden.

"Contem com o Brasil", disse Bolsonaro, ao finalizar sua participação.

O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, esteve ao lado de Bolsonaro durante o discurso.

A Cúpula do Clima, que conta com representantes de 40 países, começou nesta quinta-feira (22) e será encerrada nesta sexta-feira (23). A intenção de Biden é formar um consenso e instigar os países a traçarem metas mais ambiciosas para discussão na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2021, que acontece em novembro, no Reino Unido.

Os líderes mundiais pretendem limitar o aquecimento global a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, um limite que os cientistas estimam que pode prevenir os piores impactos das mudanças climáticas, ao qual o Brasil é considerado grande ameaça no momento.

300X350px_Negra.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg
728X90px (2).gif