Camarão fez mal a Bolsonaro


Presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a coletiva de imprensa após receber alta (Reprodução)

Após dois dias de internação, antecedida por três semanas se esbaldando de férias, o presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, nesta quarta-feira (5). O 'camarão não mastigado', no último domingo em Santa Catarina, foi o motivo da obstrução intestinal, contado por Bolsonaro e confirmado pelo médico Antônio Luiz Macedo - o mesmo que o operou após o episódio da facada e interrompeu férias nas Bahamas para chegar à capital paulista na terça-feira.

Durante uma coletiva de imprensa na saída do hospital, Bolsonaro disse que "era uma peixada, tinha uns camarõezinhos, mastiguei o peixe e engoli o camarão". O argumento foi endossado por Macedo, que completou dizendo que "o camarão não foi mastigado".

"O presidente está normal, vai fazer uma dieta especial por uma semana e vai fazer caminhada. Mas ele está pronto para o trabalho", afirmou o médico.

Na entrevista, contudo, a internação serviu convenientemente para Bolsonaro posar de vítima e trazer outra vez à tona o uso político da facada desferida pelo desvairado Adélio Bispo. Falando aos jornalistas, Bolsonaro teatralizou a teoria da conspiração - já negada pelas investigações da Polícia Federal - espalhada novamente esta semana pelos filhos políticos, de que Adélio agiu a serviço do PSOL para impedir que o candidato ganhasse as eleições, o que era considerado improvável na época - sua disparada nas pesquisas ocorreu após o episódio.

Indagado sobre as viagens para a campanha de reeleição, Bolsonaro disse que não teme as viagens, "mas minha segurança". Desde o ano passado, pesquisas eleitorais apontam elevados índices de rejeição do presidente, sobretudo pela gestão desastrosa da pandemia, tendo sido indiciado pela CPI da Covid por diversos crimes, inclusive por prevaricação diante das denúncias sobre propina para a compra de vacinas.

Além de destacar o tema da "facada", Bolsonaro deixou o hospital também criticando mais uma vez as urnas eletrônicas. Não comentou ou se solidarizou com as famílias dos 26 mortos e 518 feridos na tragédia causada pelas chuvas na Bahia, com mais de 90 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.

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