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Camilo põe alfabetização na idade certa maior prioridade do MEC


(Foto: Luís Fortes/MEC)

O novo ministro da Educação, Camilo Santana, assumiu o cargo nesta segunda-feira (2), na sede da pasta, em Brasília, colocando como “prioridade absoluta” a alfabetização na idade certa de crianças do ensino básico.


Santana citou dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), segundo os quais uma em cada três crianças não aprende a ler e escrever na idade certa. De acordo com os dados mais recentes, houve aumento, por exemplo, de 66% no número de crianças de seis e sete anos que não sabem ler e escrever durante a pandemia de covid-19, entre 2019 e 2021.


“Ou seja: a maioria é analfabeta dentro da própria escola, o que provoca graves repercussões na sequência da vida dessas crianças", disse o novo ministro da Educação, que foi empossado ontem (1º) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


“Se impõe uma prioridade absoluta nesse país, a de promover a alfabetização de todas as crianças na idade certa”, afirmou Santana.


O ministro atribui os resultados negativos na área à gestão anterior, do governo Jair Bolsonaro. Segundo ele, o que há de mais valioso para uma nação "foi tratado como subproduto."


"Vivemos tempos muito sombrios, onde o Brasil foi negligenciado nas suas mais importantes áreas. E a educação sem dúvida foi uma das mais atingidas. O que é mais valioso para qualquer nação se desenvolver, que é valorizar a educação do seu povo, foi tratado como subproduto, trazendo prejuízos imensuráveis para milhões de crianças e jovens desse país", disse.


Logo no início do discurso, ele homenageou Magda Soares, professora emérita da Universidade Federal de Minas Gerais e uma das maiores referências na área de alfabetização do país, que morreu ontem (1º), aos 90 anos. Ela foi fundadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) da UFMG. Santana também pediu aos presentes uma salva de palmas aos professores do Brasil.


Ex-governador do Ceará por oito anos (2014-2022) e senador eleito pelo estado, Camilo Santana nasceu em Crato, na região do Cariri e se formou em agronomia na Universidade Federal do Ceará. Tem mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela mesma instituição.


Iniciou a luta política no movimento estudantil, ocupando os cargos de presidente do Centro Acadêmico de Agronomia e de diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Servidor público federal concursado, Camilo ocupou de 2003 a 2004 o cargo de superintendente do Ibama no Ceará.


Em 2006 assumiu a Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado. Foi eleito deputado estadual em 2010, tendo sido o mais votado. Em 2012, se tornou secretário das Cidades do governo Cid Gomes.


Nas eleições de 2014 foi eleito governador do Ceará com 53,35% dos votos. Em 2018, diante da grande aprovação popular de sua gestão, que promoveu a inclusão social e a redução da desigualdade social no estado, ele foi reeleito no primeiro turno com quase 80% dos votos.


Durante os oito anos de governo petista no Ceará, a educação pública, que há décadas já se destaca como uma das melhores do país, continuou sendo uma prioridade através da implementação de novos programas e ações, como a universalização do tempo integral no ensino fundamental em todas as escolas públicas dos 184 municípios cearenses.


Ao montar sua equipe no MEC, Santana trouxe consigo outros nomes do Ceará, como a nova secretária-executiva da Educação, cargo número dois da pasta, Izolda Cela, ex-governadora do Ceará, e Fernanda Pacopahyba, ex-secretária de Fazenda do Ceará e que comandará o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Ambas foram bastante aplaudidas ao serem mencionadas pelo novo ministro.


Outras ações prioritárias

Em seguida, o ministro citou o combate à evasão escolar, em especial no ensino médio, como tarefa prioritária da Educação. O problema também cresceu nos últimos anos e durante a pandemia de covid-19. “Precisamos garantir todos, todos os alunos na escola nesse país”, afirmou o ministro.


Ele enumerou ainda, entre as políticas prioritárias da nova gestão, ampliar o ensino em tempo integral, fortalecer o orçamento e a autonomia das universidades públicas, ampliar o acesso dos alunos à internet e a aprovação, no Congresso, da criação e regulamentação do Sistema Nacional de Ensino (SNE), pauta há muito reivindicada por movimentos de defesa da educação.


De maneira simbólica, Santana recebeu um botom com a identificação do Ministério da Educação das mãos da presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, e da presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Jade Beatriz. O ex-ministro e antecessor na pasta, Victor Godoy, não compareceu à transmissão de cargo.


Estiveram presentes à solenidade diversos governadores que também acabam de assumir para um novo mandato, como o governador do Ceará (Elmano Freitas), da Bahia (Jerônimo), do Piauí (Rafael Fonteles), do Maranhão (Carlos Brandão), da Paraíba (João), do Rio Grande do Norte (Fátima Bezerra) e do Distrito Federal (Ibaneis Rocha).


Outros ministros recém-empossados também compareceram, como Nísia Trindade (Saúde), Wellington Dias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Ana Moser (Esportes) e Vinícius Marques de Carvalho (Controladoria-Geral da União). Também estiveram presentes diversos parlamentares e prefeitos.


Com a Agência Brasil

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