Caminhoneiros chamam auxílio de Bolsonaro de 'piada'


Em estado de greve desde o último sábado (16) e ameaçando parar geral em 1º de novembro, os caminhoneiros veem como "piada" e "esmola" o auxílio-diesel de R$ 400 prometido pelo presidente Jair Bolsonaro para compensar a disparada de preço do combustível. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, principal líder da categoria, a proposta de Bolsonaro "é uma piada de mau gosto" e a greve marcada para o dia 1º de novembro "está mantida".

"Eu acho que foi uma piada que ele (Bolsonaro) fez... ou será de verdade? Isso é uma piada de mau gosto. O caminhoneiro não quer esmola, quer dignidade, quer os compromissos que foram assumidos e que até hoje não saíram do papel", protestou Chorão, acrescentando que "é mais um balão apagado para a categoria colecionar de promessas do governo que ajudou a eleger".

Entre líderes dos caminhoneiros, o auxílio tem sido chamado também de "esmola", e, segundo Chorão, cobriria só 13% do abastecimento completo de um caminhão para uma única rodada de trabalho.

"Queremos algo concreto, não cortina de fumaça. A classe já deu 15 dias para o governo trazer algo concreto, mas isso não veio. Agradecemos pela piada do presidente, mas estamos num trabalho de unificação das pautas da categoria e a paralisação para o dia 1º de novembro está mantida, seguimos com a mobilização", afirma.

A disparada de preços dos combustíveis é a principal queixa da categoria, que reivindica mudança na política de preços da Petrobrás, além de cumprimento da lei do piso mínimo de frete e outras cobranças.

"A gente vem num trabalho de tentar acreditar, fizemos várias reuniões, mas percebemos que nada saiu do papel e a categoria não suporta mais esperar... Queremos estabilidade dos preços dos combustíveis, um fundo de colchão para amenizar volatilidade, mudança na política de preços da Petrobras, aposentadoria especial a partir dos vinte e cinco anos de contribuição e acima de tudo, queremos respeito e cumprimento da Lei nº: 13.703/2018, conhecida como Lei do Piso Mínimo de Frete”, lista o presidente da Abrava.

Política de preços

A política de preços da Petrobrás foi o principal motivador da histórica paralisação ocorrida em 2018, durante o governo golpista de Michel Temer, e que ajudou a impulsionar a campanha de Bolsonaro à presidência.

Criada pelo governo golpista logo após a nomeação de Pedro Parente presidente da estatal, em maio de 2016, o chamado Preço de Paridade de Importação (PPI) permitiu que as refinarias passassem a cobrar pelos combustíveis como se estivessem importando os produtos (preço internacional mais frete, custo portuário de internação e seguros). Com isto, refinarias no exterior passaram a fornecer seus produtos para o Brasil, tomando mercado da própria Petrobrás, que ficou com suas refinarias ociosas em até 30%. E os preços passaram a ser reajustados internamente de acordo com as oscilações do mercado internacional e do dólar.

O presidente Bolsonaro já afirmou que não vai mexer nessa política de preços, prejudicial ao consumidor brasileiro.


Toda Palavra_Banner_300x250_Celular.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg