Caminhoneiros mantêm greve com ICMS congelado e tudo


(Reprodução)

Lideranças dos caminhoneiros afirmaram nesta sexta-feira (29) que a proposta do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) de congelar o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) dos estados para reduzir o preço da gasolina e do diesel "não vai resolver o problema" do valor abusivo dos combustíveis.

Às vésperas da greve da categoria, marcada para esta segunda-feira (1º), o Confaz, que reúne secretários de Fazenda dos estados e do Distrito Federal, aprovou o congelamento do valor do ICMS cobrado nas vendas de combustíveis por 90 dias.

Com os preços na estratosfera - gasolina a R$ 7 em alguns estados e alta acumulada de 74% e diesel majorado em 65% -, lideranças dos caminhoneiros afirmam que essa medida para tentar controlar o aumento dos preços é "paliativa" e que a paralisação está mantida.

“A situação do congelamento é que nem aquela paliativa que ele [Jair Bolsonaro] arrumou para tirar dois meses de imposto federal. Depois de dois meses volta tudo ao normal e não resolveu o problema. Nós queremos uma solução definitiva, e não paliativa”, afirmou à Revista Fórum José Roberto Stringasci, da Associação Nacional de Transportadores do Brasil.

Wallace Landim, o Chorão, apontado como principal liderança nacional, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), afirmou que Bolsonaro vai precisar encontrar “outra pessoa para culpar” - Bolsonaro culpava os governadores, dizendo que a disparada dos preços dos combustíveis se deve ao ICMS dos estados.

“Eu vejo que o presidente vai ter que procurar outro para culpar. Esse é um projeto do consórcio dos governadores, que estava em estudo, mas nesse exato momento não refresca nada nos preços. Os governadores estão fazendo a parte deles e agora o governo federal vai ter que fazer a parte dele”, cobra Chorão.

“Ele [Bolsonaro] queria que os governadores fizessem a sua parte e eles fizeram. Agora vai ter que chamar o seu super ministro, a Petrobras e ver o que pode fazer. Vamos lutar pela nossa sobrevivência, temos nossas demandas paradas”, diz Chorão, reforçando que é necessário mudar a política de preço de paridade de importação (PPI) adotada pela Petrobrás após o golpe do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Segundo os caminhoneiros, o verdadeiro problema é a política de preços, que encarece o valor dos combustíveis como se eles fossem importados, apesar de o petróleo ser produzido aqui e o Brasil consumir 90% do que é produzido no país.

Greve robustecida

A greve dos caminhoneiros foi decidida em assembleia realizada no sábado passado no Rio de Janeiro com as principais lideranças nacionais presentes e está programada para acontecer na próxima segunda-feira (1º).

Após o cancelamento da reunião com o Palácio do Planalto, os líderes do movimento cogitaram a hipótese de a presidência não acreditar na paralisação e passou a mobilizar ainda mais a participação do máximo de caminhoneiros para robustecer o movimento.

A CUT, que tem sob seu guarda-chuva a Federação Única dos Petroleiros (FUP), emitiu um comunicado lembrando que o alto valor do diesel impossibilita o trabalho da categoria.

Os petroleiros também pretendem organizar uma greve contra a privatização da Petrobrás, defendida pelo governo Jair Bolsonaro.

Política de Bolsonaro favorece acionistas

Mesmo diante da crise, o governo federal não pretende congelar o preço dos combustíveis, conforme disse o diretor de Comercialização e Logística da Petrobrás, Cláudio Mastella, nesta sexta. A declaração vem em meio a um novo reajuste, anunciado no dia 25 deste mês.

Segundo ele, o congelamento do preço dos combustíveis geraria um descompasso em relação aos preços internacionais. “Não estamos cogitando congelar preços. Fazer isso significa descolar o combustível brasileiro do preço internacional, fazendo o preço do país ficar desconectado. Isso tornaria dois problemas: por um lado o mercado desabastecido ou a Petrobrás tendo que suprir 100% do mercado com um custo mais elevado. Ainda por cima isso vai contra a legislação e os movimentos de trazer mais competição e investimento para o mercado brasileiro”, disse Mastella.

Na quinta-feira, 28, o conselho da Petrobrás aprovou o pagamento de nova antecipação da remuneração aos acionistas relativa ao exercício de 2021, de R$ 31,8 bilhões. Somados aos R$ 31,6 bilhões anunciados em agosto, totalizam-se R$ 63,4 bilhões em antecipação aos acionistas relativos ao exercício de 2021.

Em comunicado enviado ao mercado nesta quinta, a empresa informou que reportou lucro líquido de R$ 31,1 bilhões no 3º trimestre de 2021. O lucro vem dos preços abusivos impostos pelo governo Jair Bolsonaro e a política de paridade internacional dos preços, que faz o consumidor pagar os combustíveis como se eles tivessem sido importados.

Em agosto, a Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet) denunciou que a política do Conselho Administrativo da estatal, pró-acionistas, estava levando a uma evasão bilionária das riquezas produzidas no País.

Luna: 'desconhecimento'

Apesar de a política de preços ser uma decisão de Governo, o presidente da Petrobrás, general da reserva Joaquim Silva e Luna, disse nesta sexta-feira que a estatal "não controla esse preço" e que a sociedade desconhece "o que a Petrobrás pode e não pode fazer".

"O petróleo tem seu preço determinado pelo mercado global. A Petrobras não controla esse preço", disse Luna.

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