Carol Santiago faz história com seu 3º ouro em Tóquio


Carol Santiago exibe, orgulhosa, sua terceira medalha de ouro em Tóquio (Foto: Ale Cabral/CPB)

O oitavo dia de competições em Tóquio contou novamente com marcos históricos protagonizados pelos atletas paralímpicos do Brasil nesta quarta-feira (1º). Além da despedida do nadador Daniel Dias, aos 33 anos, Carolina Santiago também marcou para sempre o seu nome no esporte paralímpico brasileiro ao conquistar o ouro nos 100m peito (classe SB12). Essa foi a terceira vez que a pernambucana subiu ao lugar mais alto do pódio em Tóquio - antes ela já havia faturado os 100m livre e os 50m livre. Aos 36 anos, ela ainda ganhou o bronze nos 100m costas e a prata no revezamento misto dos 4x100m livre - 49 pontos, ao lado de Wendell Belarmino (S11), Douglas Matera (S13) e Lucilene Sousa (S12).

O pódio de Carol foi o 15º ouro da missão brasileira em Tóquio, superando o número de medalhas douradas conquistadas nos Jogos Rio 2016 (14) e ficando a seis do recorde estabelecido em Londres 2012 (21).

“Agora estou deixando a emoção tomar conta. Fiz a minha prova, nadei tranquila e não pensei em mais nada. Fiz o que o meu treinador pediu e o resultado veio. Só posso agradecer por tudo o que está acontecendo comigo nesses Jogos de Tóquio”, comemorou Carol Santiago, cuja marca na prova também valeu o novo recorde paralímpico, feito que ela também havia realizado na prova dos 50m livre.

A potiguar Cecília Jerônimo de Araújo também fez bonito e conquistou a medalha de prata nos 50m livre (classe S8) da natação, assim como o catarinense Talisson Glock, que levou o bronze nos 100m livre (classe S6).

Já o catarinense Talisson Glock, de 26 anos, foi medalha de bronze nos 100m livre (classe S6). Com o tempo de 1min05s45, o brasileiro ficou atrás do italiano Antonio Fantin, que conquistou o ouro com o recorde mundial da prova (1min03s71), e do colombiano Nelson Crispin, medalhista de prata (1min04s82).

"Essa medalha veio para consagrar a competição. Gostaria de dedicar à minha mãe. Queria ter nadado na marca de 1min04s. A virada poderia ter sido um pouquinho melhor. Perdi um pouco no submerso. Mas estou feliz e satisfeito, pois nadei três vezes para o meu melhor tempo. Agora é corrigir os erros. Amanhã, tem os 400m", analisou Glock.

O país também faturou dois bronzes na bocha, com Maciel Santos (classe BC2) e José Carlos Chagas de Oliveira (classe BC1), sendo esta última medalha, inédita na história do Brasil em Jogos Paralímpicos. Por fim, bronze por equipes da classe 9-10 entre as mulheres do tênis de mesa.

Com estes pódios, o Brasil soma agora 48 medalhas nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, com 15 ouros, 12 pratas e 21 bronzes. Está na sétima colocação no quadro de medalhas geral. A China lidera com 68 ouros e 147 medalhas, com o Comitê Paralímpico Russo em seguida, com 89 medalhas, sendo 32 de ouro, e a Grã-Bretanha, em terceiro lugar, com 30 medalhas de ouro e um total de 86 medalhas.

Maior atleta paralímpico da história do país e um dos maiores do mundo, Daniel Dias se despediu das piscinas na manhã desta quarta-feira, 1, ao terminar a final dos 50m livre (classe S5) na quarta colocação, com o tempo de 32s12.

Assim, o paulista de Campinas encerra sua jornada no esporte com a impressionante marca de 27 medalhas em quatro edições de Jogos Paralímpicos (Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016 e Tóquio 2020), sendo 14 de ouro, sete de prata e oito de bronze.

Natação

Bocha

O primeiro a subir ao pódio foi Maciel Santos (classe BC2) na disputa do bronze contra o tailandês Worawut Saengampa. O resultado final foi 4 a 3 para o cearense. A vitória apertada do brasileiro aconteceu após o último arremesso.

“Foi muito emocionante, na última bola. A gente sabe que, em Jogos Paralímpicos, é resolvido no detalhe. Eu estava jogando contra o último campeão mundial. É Paralimpíada! É coração! É Brasil. É emoção! Não dá para esperar menos do que isso”, comemorou o atleta.

Para Maciel, este momento é ainda mais especial. Ele se lembrou do colega da Seleção Brasileira de bocha Dirceu Pinto, falecido no ano passado, vítima de insuficiência cardíaca. “Sem dúvida nenhuma este momento é especial. Essa medalha vale ouro na minha vida. No ano passado tivemos uma perda grande com o Dirceu. Eu vim para Tóquio para honrar o nome dele. Cada bolinha, cada arremesso, eu jogava com o pensamento de honrar o nome do Dirceu. Eu dedico essa medalha a ele, à família dele e à minha família”, completou Maciel, que volta a disputar a prova por equipes nesta quarta, 1, às 21h30 (horário de Brasília).

O segundo bronze da noite foi uma medalha inédita para o Brasil - a primeira em toda a história na classe BC1. O responsável pelo feito foi José Carlos Chagas de Oliveira. Ele venceu o português André Ramos por 8 a 2. “É muita emoção! Estou feliz e agradeço ao meu treinador, minha família e à minha namorada”, celebrou José Carlos.

Paulo Barbosa dos Santos, assistente técnico do atleta, destacou a importância histórica desta medalha. “A gente está muito feliz. É a primeira vez que o Brasil conquista o pódio na classe BC1 e que venham outras [medalhas]”, disse.

Tênis de mesa

O tênis de mesa do Brasil conquistou a medalha de bronze por equipes da classe 9-10 entre as mulheres. Com o time formado por Bruna Alexandre, Danielle Rauen e Jennyfer Parinos, a seleção acabou derrotada pela Polônia por 2 sets a 0 na semifinal. O resultado já era garantia de mais um pódio, já que não há disputa de terceiro lugar nos Jogos. Antes, as brasileiras haviam vencido a Turquia por 2 sets a 1, nas quartas de final da competição.

As mesa-tenistas brasileiras já haviam conquistado duas medalhas no torneio individual dos Jogos, com Bruna Alexandre (prata na classe 10) e Cátia Oliveira (bronze na classe 1-2).

Goalball

Em um duelo emocionante, o Brasil mostrou força na defesa, venceu a favorita seleção da China - três vezes medalha de prata nos últimos Jogos (Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016) - e avançou às semifinais em Tóquio. Após um tempo regulamentar sem gols, a vaga veio em cobrança de penalidade de Carol, no primeiro ataque brasileiro no segundo tempo da prorrogação: 1 a 0.

Agora o Brasil encara os Estados Unidos na próxima sexta-feira, 3, às 7h30 (horário de Brasília), no Makuhari Messe Hall C.

No mesmo dia, um pouco mais cedo, às 5h45 (horário de Brasília), o time masculino do Brasil reencontra a Lituânia, atual campeã paralímpica, na semifinal. Apesar da vitória arrasadora dos brasileiros por 11 a 2, logo na estreia em Tóquio, o histórico entre as duas seleções é de resultados apertados.

Vôlei sentado

Na última partida da fase classificatória, a Seleção Brasileira feminina de vôlei sentado venceu a Itália por 3 sets a 1 (23/25, 25/17, 25/16 e 25/21), garantindo a classificação para as semifinais como líder do Grupo A. A equipe está invicta na competição e agora encara os Estados Unidos, no próximo sábado, 4, no Makuhari Messe Hall A.

No masculino, o Brasil joga a semifinal contra os atletas do Comitê Paralímpico Russo, na próxima sexta-feira, 3, às 6h30 (horário de Brasília).


Com Comitê Paralímpico Brasileiro

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