Caso Moïse: havia mais gente no quiosque e até bebendo

Atualizado: 10 de fev.


(Reprodução)

Novas imagens das câmeras de segurança do quiosque Tropicália, obtidas pela TV Globo, revelam que havia outras pessoas presentes na cena do crime, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, na noite do dia 24 de janeiro, quando o congolês Moïse Kabagambe foi brutalmente assassinado a pauladas por três homens. Imagens mostram que um homem puxa as pernas de Moïse, outro leva embora o taco usado no crime, um chega a tirar uma foto da vítima imobilizada, enquanto a venda de bebidas no estabelecimento continuou normalmente, mesmo com o corpo estendido no chão.

Do momento em que o jovem foi derrubado no chão por um dos agressores até o último movimento de Moïse passaram-se seis minutos, período em que recebeu 40 pauladas de dois homens. Moïse levou chutes e socos e sofreu estrangulamentos com a ajuda de uma corda, enquanto um terceiro agressor estava em cima dele e o imobilizou com um mata-leão até o último sinal de vida. Estes três homens já estão presos.

As novas imagens mostram que um homem de camisa amarela da seleção, que estava sentado em um banco do quiosque, se aproximou da agressão. Logo quando o congolês caiu, ele puxou suas pernas. Um outro, de regata e boné pretos, se aproxima do local onde as agressões tinham começado e observa tudo, ao lado de outro homem. Ele recebe de um dos agressores a arma do crime e sai de cena com o taco de basebol.

Durante as três horas de imagens, aparece também um funcionário, Jailton Pereira Campos, que disse à polícia que começou a discutir com o congolês pois ele tentava pegar bebidas no freezer. Jailton aparece com um pedaço de pau na mão no começo das imagens com Moïse, antes dele ser derrubado. No entanto, ele ão participou diretamente das agressões.

De acordo com a família de Moïse, ele foi ao quiosque para cobrar diárias de trabalho não pagas.

A Delegacia de Homicídios informou que todas as imagens continuam sendo analisadas, e as investigações prosseguem para apurar o possível envolvimento de outras pessoas no crime.

OAB: 'toda verdade'

O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária (CDHAJ) da seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Álvaro Quintão, afirmou que vem pedindo à Polícia Civil acesso à versão integral das imagens do assassinato.

Os advogados da comissão e familiares denunciam que, até agora, apenas trechos foram divulgados, o que oculta a participação de outras pessoas no crime.

"Hoje, a imprensa divulgou novas imagens que comprovam nossa denúncia. Quem estão querendo proteger? O que estão escondendo? O inquérito precisa mostrar toda verdade sobre a morte do Moïse", diz Quintão.

Nesta terça-feira (8), foi realizada uma manifestação em memória de Moïse Kabagambe no Circo Crescer e Viver, no Centro do Rio, tendo a OAB-RJ como uma das entidades organizadoras, juntamente com o Instituto dos Advogados Brasileiros, Circo Crescer e Viver, Central Única das Favelas, entre outras.

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