'Caso é de polícia', diz Lula sobre conversas de Flávio com Vorcaro
- há 2 horas
- 2 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14) que os vínculos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras bilionárias, é um caso de polícia. A declaração foi feita em resposta ao questionamento de uma jornalista durante visita do presidente à fábrica de fertilizantes nitrogenados na Bahia, a Fafen, em Camaçari, na região metropolitana de Salvador.
"Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia", afirmou o presidente.
Lula se referia ao escândalo envolvendo o senador pelo Rio de Janeiro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato ao Palácio do Planalto, revelado em reportagem do portal The Intercept Brasil.
De acordo com a publicação, Flávio articulou repasses de R$ 134 milhões do banqueiro supostamente para financiar a realização de um filme sobre a trajetória política do pai, que governou o país entre 2019 e 2022 e foi condenado e preso - em novembro do ano passado - por tentativa de golpe de Estado.
O banqueiro Daniel Vorcaro está preso suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras por meio do Banco Master, que teve sua liquidação decretada no fim do ano passado, por decisão do Banco Central (BC), após a constatação da incapacidade da instituição em honrar com os depósitos e aplicações de clientes.
Ao revelar o envolvimento entre Flávio e Vorcaro, a reportagem do Intercept divulgou um áudio em que o senador pressiona o banqueiro, cobrando o envio de recursos para suposta produção do filme.
A reportagem revela também, com base em outras mensagens de WhatsApp vazadas, bem como em documentos e comprovantes bancários, que US$ 10,6 milhões - cerca de R$ 61 milhões - foram pagos entre fevereiro e maio de 2025.
Prisão
As últimas conversas entre ambos, mostradas pela reportagem, datam do início de novembro do ano passado, um período crítico para o Banco Master e Vorcaro.
Pouco mais de uma semana depois dessa troca de mensagens, o Banco Central decretou a liquidação do Master e a Polícia Federal (PF) prendeu o banqueiro, quando ele tentava embarcar em seu avião particular para os Emirados Árabes Unidos, em um dos desdobramentos da operação sobre as fraudes bilionárias.
Vorcaro está preso na Superintendência da PF, em Brasília, e negocia um acordo de delação premiada.
O filme estaria sendo realizado por uma produtora nos Estados Unidos, com atores e equipes americanos.
Ainda segundo a matéria, o apoio envolve transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo dos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
Deputados federais da base no governo apresentaram uma denúncia à PF e à Receita Federal para que apurem se houve ilegalidades nas transações e se os recursos podem estar relacionados a algum tipo de propina.
Horas após a publicação da reportagem, nesta quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro, que inicialmente disse ser "mentira", acabou admitindo ter pedido o recurso e ter mantido relação com Vorcaro, mas destacou tratar-se de uma questão privada.
Com a Agência Brasil






