Cem anos de Brizola: 22 vídeos revisitam o herói da pátria


Por Luiz Augusto Erthal


Nesta sábado, 22 de janeiro, Leonel Brizola completaria cem anos. Nascido em Carazinho, interior do Rio Grande do Sul, em 1922, ele morreu no Rio de Janeiro em 2004, mas sua chama permanece viva no peito dos brasileiros. Para homenageá-lo, o TODA PALAVRA selecionou 22 vídeos que retratam a trajetória, o pensamento e algumas das grandes realizações desse líder do povo brasileiro, cujo nome ficará escrito para sempre no panteão dos Heróis da Pátria.

O menino pobre, órfão de pai - emboscado e assassinado ao voltar para casa ao término da última Revolução Farroupilha - com apenas um ano, que viveu descalço até a adolescência e só conheceu uma escova de dentes com 12 anos, foi alfabetizado pela própria mãe, lutou, trabalhou e conseguiu formar-se em engenheiro. Participou da fundação do PTB, partido criado por Getúlio Vargas, do qual se tornaria herdeiro político, assumindo a liderança do Trabalhismo.

Brizola via a doutrina trabalhista como o caminho natural rumo ao socialismo no Brasil, um "socialismo moreno", como ele mesmo definiu no início dos anos 80, respeitando os valores do povo brasileiro. Como governador do Rio Grande do Sul, teve o seu batismo de fogo: desenvolveu projetos pioneiros de reforma agrária em terras gaúchas e desafiou o poder do imperialismo, nacionalizando as subsidiárias da Bond and Share e da ITT, que prestavam precários serviços de telefonia e eletrificação no estado. O ato lhe rendeu notoriedade nos escritórios de Wall Street e o ódio das multinacionais.

Ainda no comando do governo gaúcho, tornou-se protagonista do último levante em armas do povo brasileiro ao criar a Campanha da Legalidade, movimento que evitou um golpe militar para impedir a posse do presidente João Goulart - cunhado de Brizola ,- na condição de vice-presidente da República, após a renúncia do presidente Jânio Quadro. Brizola levantou o Rio Grande do Sul em armas e convocou uma cadeia nacional de rádios - a Cadeia da Legalidade, conseguindo abortar o golpe de estado.

Mas os golpistas voltariam em 1964, quando o então deputado federal Leonel Brizola, ao lado de Jango, na presidência, tentava abalar as estruturas seculares de poder econômico no Brasil com as Reformas de Base. Com apoio financeiro e militar dos Estados Unidos, desta vez os golpistas saíram vitoriosos e empreenderam dura perseguição contra Brizola, que se exilou no Uruguai, de onde ainda tentou comandar um movimento guerrilheiro contra a ditadura militar - a Guerrilha de Caparaó -, mas sem sucesso.

Marcado para morrer pela Operação Condor - consórcio de assassinos representantes das ditaduras que dominavam a América do Sul nos anos 60/70 e que, com a ajuda da CIA, matou vários líderes de oposição sul-americanos -, Brizola vagou por vários países da Europa e pelos Estados Unidos, retornando ao Brasil após 15 anos de exílio para levantar novamente a bandeira do Trabalhismo.

Governou o Rio de Janeiro em dois mandatos - 1983-1987 e 1991-1994 - e propôs, como já havia feito antes, no Rio Grande do Sul, a revolução pela educação. No entanto, a criação dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), batizados carinhosamente pelo povo como Brizolões, desencadeou novamente o ódio das elites contra ele. Brizola foi o único político a denunciar a farsa eleitoreira do Plano Cruzado, implementado no governo Sarney. Passadas as eleições de 1986, o embuste eleitoral foi desmontado, dando origem a um refrão que se ouviu por muito tempo em todo o país: "Brizola tinha razão".

Governantes a serviço das elites brasileiras, como Moreira Franco e Marcello Alencar, destruíram o projeto dos Cieps, condenando à miséria e à ignorância milhões de jovens, muitos dos quais se tornaram presas fáceis do crime organizado, arregimentados nas fileiras do tráfico. Poder, dinheiro e traições impediram que Brizola chegasse à presidência da República para ser "o fio da história", como ele definia a função dos trabalhistas na história política brasileira.

Mas hoje, como após a decepção com o Plano Cruzado, ouve-se um novo refrão entoado em todo o país e até mesmo por muitos que nunca foram brizolistas: "Que falta que o Brizola nos faz". Em meio ao ressurgimento do fascismo, alçado ao poder com o bolsonarismo, e ao aprofundamento da desconstrução de todas as conquistas do Trabalhismo, como os direitos trabalhistas, previdenciários e a entrega obscena do patrimônio do povo brasileiro com a retomada da privataria inaugurada por Fernando Henrique Cardoso, a imagem de Brizola ressurge como um farol de honradez, justiça e patriotismo que nunca vai se apagar.


Sobre os vídeos

Como esta breve introdução deixa evidente em seus longos hiatos e omissões, qualquer esforço nosso para aquilatar Leonel Brizola em seu centenário seria deficiente. Por isso, seguindo sugestão do jornalista e amigo Eucimar Oliveira, fizemos uma seleção de 22 vídeos - dos muitos que existem na blogosfera - que resgatam o pensamento, as lutas, os sonhos, as conquistas e as derrotas desse herói do nosso povo. Além do próprio Eucimar, colaboraram na seleção dos vídeos a professora Lia Faria, ex-secretária de Educação do Estado do Rio de Janeiro e colaboradora direta de Darcy Ribeiro na implantação do programa educacional dos Cieps; o professor Aurélio Fernandes, mestre em ensino de História e educador popular; o ex-deputado federal e ex-ministro do Trabalho, Brizola Neto, e sua irmã, a deputada do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola; e a jornalista Mehane Albuquerque.


Assista os vídeos:


Quem foi Brizola (Produção: Fundação Leonel Brizola/Alberto Pasqualini)


Brizola, a força do povo


Mensagem aos jovens


Brizola para Fernando Henrique Cardoso sobre os Cieps: "Cara mesmo é a ignorância"


"Não há Brasil sem o povo brasileiro"


Privatizações criminosas


"As elites me odeiam"


Violência e a matança dos pobres


A defesa da Reforma Agrária (Em debate com presidenciáveis em 1989)


A derrota da Globo


A Legalidade - parte 1 (Produção: PDT)


A Legalidade - parte 2 (Produção: PDT)


Discurso na Cadeia da Legalidade


Imagens e hino da Legalidade:


Das Brizoletas ao Ciep


"Ciep, a catedral do povo"


Cieps, vislumbre de um futuro roubado (Produção: TV Escola)


Darcy Ribeiro sobre os CIEPs


O que foi e o abandono dos Cieps (Aula do Professor Sergio Oliveira)


"Verás que um filho teu não foge à luta"


"Ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil!"


Frases e pensamentos de Brizola no calor da luta




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