CGU: suspeitas de R$ 193 milhões por máscaras chinesas


Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o presidente Bolsonaro (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A CGU (Controladoria-Geral da União) encontrou irregularidades em um pagamento antecipado de R$ 193,4 milhões pelo governo governo Bolsonaro a uma intermediadora de máscaras chinesas. A auditoria foi concluída em 4 de agosto, e inserida no sistema de consulta pública em 22 de setembro deste ano. Segundo o documento, o governo federal não comprovou o recebimento das máscaras, assim como a entrega de 4.816 respiradores a estados e municípios. As informações são da Folha de São Paulo.

A compra foi feita em abril de 2020, no auge da pandemia da covid-19, junto à Global Base Development HK Limited, de Hong Kong, e com a 356 Distribuidora, Importadora e Exportadora - empresa de propriedade de Freddy Rabatt, que atua no ramo de relógios de luxo suíços - que fez a mediação. As empresas afirmam "com segurança" que todos os produtos foram entregues.

Ao todo foram 200 milhões de unidades das máscaras de proteção cirúrgicas, e 40 milhões das KN95, impróprias a profissionais de saúde - cada um dos dois lotes custou o mesmo valor, de R$ 345,85 milhões. Cada máscara imprópria - tinha inclusive escrito na embalagem "non-medical" - custou R$ 8,65 aos cofres públicos, enquanto no mesmo momento da pandemia o governo pagou R$ 3,59 por máscara tipo PFF2 - considerado um dos melhores modelos de proteção contra covid-19 - comprada diretamente do fabricante 3M do Brasil.

No mesmo relatório, constam 4.816 respiradores com ausência de comprovação de entrega a estados e municípios. No total a compra custou R$ 273,3 milhões aos cofres do governo.

Os respiradores eram responsabilidade da VTCLog, investigada pela CPI da Covid por contratos superfaturados no Ministério da Saúde. A companhia alega ter entregue mais de 18 mil respiradores com comprovantes.

Todos esses contratos foram assinados por Roberto Ferreira Dias, que chegou a ser preso pela CPI, mas solto após pagamento de fiança.

No total, a CGU constatou 15 lançamentos sem os documentos que possam confirmar o recebimento das máscaras pelo ministério. Isso impede uma conclusão sobre baixas contábeis no valor de R$ 193,4 milhões.

O governo não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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