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Chamado de miliciano, chefe da Funai deixa evento na Espanha

  • 21 de jul. de 2022
  • 2 min de leitura

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier, foi obrigado a abandonar um evento em Madri que discutia a questão dos povos indígenas após ser alvo de protestos e ser chamado de "assassino" e "miliciano". Xavier, que é delegado da Polícia Federal, é acusado por ativistas de seguir a política do presidente Jair Bolsonaro (PL) e promover um desmonte e aparelhamento no órgão, facilitando assim o garimpo ilegal e deixando vulneráveis povos originários.

O incidente ocorreu durante a 15ª Assembleia Geral do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e o Caribe (Filac). Indignado com a presença de Xavier no evento, o ex-funcionário Ricardo Rao o acusou de ser responsável pelo genocídio dos povos indígenas e pela morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

"Esse homem não pertence aqui. Esse homem é um assassino, esse homem é um miliciano. Ele é responsável pela morte de Bruno [Pereira] e Dom Phillips."

Constrangido, Xavier deixou a sala. A indignação de Rao reflete a de outros servidores da Funai que vêm pedindo a saída do presidente do órgão. Eles acusam Xavier de estar alinhado à agenda ruralista e a uma política anti-indígena do governo Bolsonaro. Em junho, segundo noticiado pela Folha de S.Paulo, eles realizaram um protesto em Brasília pedindo a saída de Xavier.

Os servidores afirmam que Xavier promove assédio moral e o esvaziamento orçamentário do órgão. A Funai atualmente tem o menor quadro de funcionários desde 2008, e os pedidos de abertura de concurso para preencher os cargos vazios vêm sendo negados.

Em entrevista ao UOL, Rao afirmou que a atuação de Xavier abriu margem para que criminosos e milicianos se sentissem seguros para não apenas ameaçar, mas matar indigenistas.

"A milícia controla hoje a Funai. Sempre recebemos ameaças. Bruno recebeu, eu recebi e até minha mãe recebeu. Agora, a diferença é que as ameaças se cumprem. Quem faz a ameaça acha que pode matar. Afinal, o [presidente Jair] Bolsonaro falou, não é?", disse Rao.

 
 
 

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