Chile: Câmara aprova abertura de impeachment de Piñera


(Reprodução)

Um processo de impeachment contra o presidente chileno, Sebastián Piñera, decorrente de alegações de irregularidades na venda de uma mineradora, seguirá para o Senado depois de ser aprovado na Câmara dos Deputados na manhã desta terça-feira (9).

A sessão durou quase 22 horas de debate. O deputado chileno Jaime Naranjo, do Partido Socialista, discursou por quase quinze horas para dar tempo de chegada de mais opositores na Câmara, já que alguns deles estão em quarentena em razão de terem testado positivo para a covid-19 - incluindo o candidato socialista, Gabriel Boric. A oposição tem 83 cadeiras na Câmara, e a decisão sobre o encaminhamento foi aprovada com os 78 votos mínimos necessários, 67 votos contrários e três abstenções. No Senado, a medida exigirá o patamar mais alto de dois terços dos 43 senadores.

Opositores acusam o presidente Piñera por seu envolvimento na venda da mineradora Dominga nas Ilhas Virgens, paraíso fiscal revelado nos Pandora Papers - uma grande quantidade de documentos que revelaram transações em paraísos fiscais envolvendo figuras globais da política e dos grandes negócios.

É o segundo caso de impeachment de Piñera - ele escapou da primeira acusação, de crimes de violação de direitos humanos em meio aos protestos de outubro de 2019.

"Nunca na história deste país um presidente da República, no exercício do seu mandato, foi acusado de duas coisas tão graves como ter violado os direitos humanos e ter comprometido a honra da nação, por isso espero que esta Câmara aprove a denúncia", disse Naranjo após quase 15 horas discursando, já à 1h30 da manhã desta terça-feira.

Há documentos que mostram um acordo a respeito da venda, em 2010, da mina Dominga, um projeto amplo de cobre e ferro no Chile. À época, Piñera, um empresário bilionário, estava no primeiro ano de seu primeiro mandato presidencial.

O vazamento causou polêmica no Chile por dar a entender que o acordo, que envolveu uma firma ligada à família Piñera, estava contingenciado por um parecer ambiental regulatório favorável. A venda havia sido examinada e rejeitada pelos tribunais em 2017.

Político de direita, que encerrará o mandato no começo de 2022, Piñera rejeita as acusações e argumenta que nenhuma irregularidade foi encontrada.

A controvérsia surge antes das eleições presidencial e legislativa de 21 de novembro, nas quais o candidato de direita José Antonio Kast aparece nas pesquisas de opinião à frente do rival de esquerda, Gabriel Boric. Piñera não está concorrendo.

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