China espera negócios com o Brasil 'sem discriminação'


Qu Yuhui, ministro-conselheiro e porta-voz da Embaixada da China em Brasília (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O ministro-conselheiro e porta-voz da Embaixada da China em Brasília, Qu Yuhui, disse que Pequim espera "estabilidade" na relação com o Brasil e ressaltou os investimentos e empregos gerados pelo gigante asiático no país. Qu Yuhui afirmou ainda que a China espera "que o governo brasileiro continue a proporcionar às empresas chinesas, aí incluída a Huawei (na concorrência do 5G), um ambiente de negócios imparcial, aberto, transparente e livre de discriminação".

"Como amigos do Brasil, esperamos que o país mantenha a estabilidade e o contínuo desenvolvimento [...]. Vale salientar que a China é um dos principais investidores no país, com um volume de aportes em rápida ascensão de US$ 80 bilhões [R$ 418 bilhões] e 40 mil empregos diretos", afirmou Qu, em entrevista à Folha de S.Paulo.

De acordo com a reportagem, o porta-voz decidiu fazer a entrevista pela relação ambígua que o governo do presidente Jair Bolsonaro tem com a China.

Ao mesmo tempo que ataca a China e diz que sua vacina (CoronaVac) não tem comprovação científica, Bolsonaro agora também diz que Pequim é um parceiro importante na luta do Brasil contra a pandemia, de acordo com as palavras do presidente na última conferência do BRICS.

Indagado se seria possível crer em tanta moderação de Bolsonaro, Qu Yuhui contemporizou:

"A afirmação sobre as relações sino-brasileiras feita pelo presidente Bolsonaro foi uma avaliação objetiva sobre as relações amistosas entre nossos dois países e a parceria bilateral de alto nível no contexto da pandemia. [...] Nesta cúpula do BRICS, o presidente Xi Jinping apresentou cinco iniciativas para promover o crescimento de alta qualidade da cooperação pragmática dentro do bloco. Esperamos trabalhar com o lado brasileiro para implementar os importantes consensos alcançados", disse.

Em maio, Bolsonaro chegou a dizer que a China estaria interessada em uma "guerra biológica" com o vírus da covid-19. O porta-voz comentou as sugestões norte-americanas com o mesmo conteúdo.

"Trata-se de uma acusação leviana e de má-fé. [...] Os EUA são, de fato, o país que mais espalhou o vírus pelo mundo e que apresenta mais suspeitas no rastreio da origem do vírus. Provas científicas indicam que as infecções pelo novo coronavírus em várias cidades norte-americanas aconteceram muito antes dos primeiros casos registrados no país", disse.

Sobre a questão do 5G no Brasil, o processo do leilão das bandas da tecnologia continua travado, mas Qu diz que o edital brasileiro "oferece condições relativamente equitativas de concorrência".

Em visita ao Brasil no início de agosto, o conselheiro de Segurança dos Estados Unidos, Jake Sullivan, fez pressão no governo, pró interesses dos EUA, dizendo que o Brasil poderia se tornar membro da OTAN se não adotar tecnologia 5G chinesa.

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