Ciro diz que notícia-crime das Forças Armadas é 'ação política'


(Foto: Divulgação/PDT)

O pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), divulgou um comunicado em suas redes sociais nesta sexta-feira (24) afirmando que a notícia-crime apresentada pelo Ministério da Defesa e pelas Forças Armadas após sua fala sobre a Amazônia, em uma entrevista, é uma "ação política".

"Fui surpreendido por uma nota agressiva e intempestiva do comando das Forças Armadas, que, além de descontextualizar o que afirmei em entrevista à CBN, ameaça-me com notícia crime, equivocadamente baseada nos artigos 286 do Código Penal e 219 do Código Penal Militar", disse o presidenciável em nota divulgada nas suas redes sociais.

"A nota, que mais uma vez explicita o grau de politização do atual comando das Forças Armadas, tenta distorcer a crítica que fiz ao notório descontrole que impera, em áreas da Amazônia, onde uma 'holding do crime' age impunemente", acrescentou Ciro.

"Em nenhum momento, disse que as Forças Armadas, enquanto instituições de estado, estariam envolvidas com essa holding criminosa. Afirmei – e reafirmo – que frente à desenvoltura com que um tipo de estado paralelo age na área, é impossível não imaginar que alguns membros das forças de segurança possam estar sendo coniventes por dolo ou omissão", escreveu Ciro, no comunicado.

Na quinta-feira (23), o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira apresentou, junto com os comandantes das Forças Armadas, uma notícia-crime à Procuradoria Geral da República (PGR), contra o pré-candidato pedetista. A ação foi motivada por declarações de Ciro Gomes em entrevista à Rádio CBN na quarta-feira (21). Na entrevista, Ciro afirmou que integrantes das Forças Armadas são coniventes com a atuação de organizações criminosas na Amazônia.

"Não é admissível, em um Estado democrático, que sejam feitas acusações infundadas de crime, sem a necessária identificação da autoria por parte do acusador e sem a devida apresentação de provas, ainda mais quando dirigidas a instituições perenes do Estado brasileiro", diz a nota do Ministério da Defesa.

Ciro Gomes acredita que essa situação criada na Amazônia é consequência da "destruição" da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e citou os assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips como exemplos desse cenário.

O pré-candidato também disse que essa ação poderia ter origem em pedidos do presidente Jair Bolsonaro (PL), e criticou os recentes pedidos do Executivo para que militares fiscalizem urnas eletrônicas classificando-os como "improbidade administrativa" e "passível de punição legal".

"Não me surpreende que a iniciativa desta ação política contra mim – e contra a minha pré-candidatura – parta de um Ministro da Defesa que, possivelmente obedecendo ordens de seu comandante supremo, vem se notabilizando por tentativas de interferência no processo político", afirmou Ciro.

Veja a seguir o comunicado na íntegra, na sequência de postagens de Ciro Gomes em seu perfil oficial.


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