Com 17% no Nordeste, Bolsonaro faz 'jegueada' em tom eleitoral


(Reprodução)

Com 17% de intenções de voto no Nordeste, ante 61% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - dados da última pesquisa Datafolha -, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta se aproximar da região que mais o rejeita. Acompanhado de ministros e apoiadores, Bolsonaro participou nesta quarta-feira (9), no Rio Grande do Norte, de uma “jegueata”, espécie de passeio de jegue e cavalo aos moldes das “motociatas” que já realizou no Sudeste e no Sul do país.

Com discursos em tom eleitoral, Bolsonaro atacou seus alvos selecionados: Lula, o PT e o Supremo Tribunal Federal (STF).

"Os ladrões de ontem querem voltar por ocasião das eleições de outubro que se aproximam. E a gente mostra o que eles fizeram. Não estamos criticando nenhum governo anterior. Estamos mostrando números", disse.

Em outro ataque em referência a Lula e ao PT, Bolsonaro disse que não apesentou nem vai apresentar projetos com o objetivo de controlar a mídia. Também criticou os governadores, voltando a atribuir à cobrança do ICMS, que é um imposto estadual, a alta no preço dos combustíveis, hoje dolarizada pela política de preço de paridade internacional criada no governo golpista de Michel Temer e mantida por Bolsonaro na Petrobrás.

Não faltaram palavrões saindo da boca do presidente para acatar seus antecessores e ainda dizer que não errou na pandemia.

Sobrou até para o ex-presidente Fernando Henrique Cardosos, do qual caçoou: "Desculpa o palavrão aqui. Este era o Brasil. E alguns falam 'o presidente é mal educado, fala palavrão'. Mas eu não roubo! Eu devo lealdade a vocês. Ah 'o presidente é grosso, falou palavrão'. Quantos porcarias me antecederam que falavam bonito? Até aquele que falava [assim] - disse Bolsonaro, primeiro fazendo um auto-retrato e depois imitando o modo de falar de Fernando Henrique, afirmando que ele era um "roubalhão".

O ex-juiz e ex-ministro do seu governo, o presidenciável Sergio Moro - que disputa votos no mesmo campo ideológico que Bolsonaro -, foi citado como o "fala mansa". "Quem era ele antes de ser ministro? Ninguém!”, atacou.

No início de seu discurso no ato de inauguração da barragem Oiticica em Jurucutu, sertão do Rio Grande do Norte, Bolsonaro, que, durante a pandemia, se colocou o tempo todo contra as medidas preventivas (isolamento e vacinas) que evitaram milhões de mortes, afirmou que o lockdown foi “ineficaz, destruiu empregos e colocou as pessoas em depressão”. Ao tratar deste tema, Bolsonaro negou que tenha errado na pandemia e voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, governadores e prefeitos que aderiram imediatamente aos fechamentos e às vacinas.

“Eu não errei na pandemia e fui atacado o tempo todo. Teve o ministro lá do STF [Alexandre de Moraes] que autorizou os prefeitos e governadores a tomarem decisões [sobre a pandemia]. Fecharam tudo (o que foi feito no mundo todo), destruíram empregos e colocaram as pessoas em depressão. Compramos vacina, fomos nós, não foi governador ou prefeito, fomos nós. Não obrigamos ninguém a tomar vacina, toma quem quer e ponto final”, disse Bolsonaro, que, na realidade, não queria comprar vacinas, defendeu remédios ineficazes para combater a doença e fez campanha sistemática contra a eficácia das vacinas, dizendo até que quem as tomasse iria "virar jacaré".

Referindo-se ao STF, Bolsonaro disse que “não têm do que nos acusar”, e seguiu em seu discurso desvirtuado da realidade: “Eu não prendi nenhum deputado, eu não desmonetizei página de ninguém, eu não ameaço ninguém, mesmo os que me ofendem, os que me atacam”, disse, num claro recado para o ministro Alexandre de Moraes, que investiga produção e divulgação de fake news (mentiras) nas redes bolsonaristas e os ataques antidemocráticos do último 7 de Setembro convocados por Bolsonaro com a pretensão de perpetrar um golpe contra as instituições. “E se (eu) tiver algo contra alguém, será no campo da injúria, da calúnia, da difamação. Nunca da prisão”, disse para uma plateia de apoiadores.

A viagem ao Nordeste foi anunciada com semanas de antecedência, com ampla divulgação local e tempo suficiente para reunir apoiadores.

Antes do Rio Grande do Norte, Bolsonaro passou pelo Ceará e por Pernambuco, sempre com eventos associados a campanha eleitoral.

Em vídeo postado nas redes sociais, é possível ver os ministros potiguares Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Fábio Faria (Comunicações) - genro do dono so SBT, Silvio Santos - ao lado do presidente. Os dois travam uma disputa entre quem vai concorrer ao governo do estado.

Também acompanham a turnê presidencial pelo Nordeste os ministros Gilson Machado (Turismo), João Roma (Cidadania) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral da Presidência).



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