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Com Bolsonaro, Record e SBT faturam mais que Globo

  • 13 de ago. de 2020
  • 2 min de leitura

Presidente Jair Bolsonaro recebe Silvio Santos, dono do SBT, e bispo Macedo, dono da Record (Fotos Públicas)

Na gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a Globo deixou de ser emissora que mais recebe dinheiro do Governo Federal para veicular ações de publicidade.

O levantamento foi feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e publicado pelo jornal Folha de S. Paulo. O TCU avaliou que faltam critérios técnicos para gerenciar a publicidade estatal e recomendou a elaboração normas e critérios para a distribuição da verba publicitária. A investigação foi feita em uma auditoria para apurar o possível direcionamento político do dinheiro público. Não foram revelados os valores distribuídos entre os veículos de comunicação pelo governo Bolsonaro.

Em 2017, quando o presidente ainda era Michel Temer (MDB), a Globo ficou com 49% das verbas publicitárias federais. Em 2018, a participação caiu para 39% e, em 2019, ficou em 16%. No mesmo período, Record e SBT passaram a ganhar mais. A Record ampliou sua participação de 31% para 43% de 2018 para 2019. Já o SBT levou 30% em 2018 e 41% em 2019.

A Record, que aumentou sua participação no bolo da publicidade do governo, tem contratos com a empresa do secretário-executivo do Ministério das Comunicações e ex-chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal Fabio Wajngarten. O dinheiro é recebido por meio da companhia FW Comunicação, de propriedade de Wajngarten, e o caso está sendo investigado pela Polícia Federal e o TCU.

O atual ministro das Comunicações, Fábio Faria, é genro de Silvio Santos.

No início de seu governo, Bolsonaro deixou claro que não renovará o contrato de concessão da Globo a vencer em 2022.

Governos Lula e Dilma

Antes do governo golpista de Michel Temer, os valores de publicidade eram direcionados de acordo com a audiência. Durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, a Globo chegou a receber 64% de todo o bolo publicitário. Com a queda da audiência, já no segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, a fatia da Globo decresceu a 36%. Com Dilma Rousseff, antes de ser apeada da presidência, a audiência média de 20% da emissora também correspondeu ao faturamento com ações de publicidade do governo.

Mesmo diante das hostilidades praticadas pela Globo em relação aos governos do PT, o critério técnico foi mantido. Até no momento mais crítico em que a Globo apoiou o golpe do impeachment, a presidente Dilma não utilizou critério político ou ideológico na distribuição das verbas de publicidade e sempre prevaleceram democraticamente valores correspondentes à audiência, tanto para a Globo como para as concorrentes.

 
 
 

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