Combustíveis sobem de novo, apesar de Bolsonaro


(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Nem completou duas semanas, e a Petrobras anuncia mais um novo aumento nos preços da gasolina e do óleo diesel nas refinarias e também do gás de botijão já a partir desta terça-feira (2). É o quinto aumento da gasolina e quarto no valor do diesel, só este ano, enquanto o gás acumula mais de 30% desde 2020. A nova alta nos combustíveis ocorre em meio a uma intervenção injustificada pelo presidente Jair Bolsonaro ao demitir o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e indicar como substituto o general Joaquim Silva e Luna, cujo currículo, insuficiente para ocupar o cargo, agora pode barrar sua nomeação.

De acordo com o comunicado da Petrobras, o preço médio de venda da gasolina passará a R$ 2,60 por litro, alta de 4,8% ou R$ 0,12 por litro, enquanto o diesel subirá para uma média de R$ 2,71 por litro, acréscimo de 5% ou R$ 0,13 por litro.

Em dezembro, o litro da gasolina custava em média R$ 1,84 e o diesel saía a R$ 2,02 nas refinarias. Com mais esse aumento, a alta acumulada no preço da gasolina já é de 41,3% e a do diesel, 34,16% desde o início do ano.

As famílias que usam gás de botijão - maioria dos lares brasileiros - também serão penalizadas com novo aumento. O reajuste será de 5%, mesmo percentual empregado em 8 de fevereiro. O preço médio de venda para as distribuidoras passará a ser o equivalente a R$ 39,69 por botijão de 13kg.

No acumulado com o ano passado, o aumento médio por botijão na distribuidora chega a 31,9%.

Em algumas regiões, o preço final do botijão de gás pode ultrapassar os R$ 100 ao consumidor.

Trapalhadas e prejuízos

O novo aumento no preço dos combustíveis isola o argumento tornado público por Bolsonaro sobre a demissão de Castello Branco da presidência da estatal. Bolsonaro referiu-se o tempo todo à alta dos combustíveis, atrelada à política de preços praticada na Petrobras desde o golpe do impeachment em 2016. No entanto, segundo revelou o jornalista Merval Pereira, no Globo, o verdadeiro motivo da demissão teria sido a recusa da administração da Petrobras a um pedido do Palácio do Planalto para liberar R$ 100 milhões de verba de publicidade destinadas à TV Record, do bispo Macedo, e ao SBT, de Sílvio Santos, principais aliados midiáticos de Bolsonaro.

O anúncio da troca de comando criou um grande abalo no mercado e gerou uma perda, em 48 horas, de cerca de R$ 103 bilhões em valor de mercado da Petrobras.

O imbróglio envolvendo a indicação do general Silva e Luna depende agora de uma decisão da assembleia geral extraordinária da Petrobras e do Comitê de Pessoas da estatal, que examina o currículo do candidato ao cargo. Pelas normas internas da companhia, para integrar a diretoria executiva, o candidato deve comprovar ao menos 10 anos de experiência no ramo, o que não é o caso do general, que nunca atuou nesse mercado e possui apenas dois anos à frente da Itaipu Binacional, sua primeira experiência no mercado empresarial.

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