Comissão de Saúde da Câmara se reúne com Comitê Científico de Niterói

A Comissão de Saúde e Bem-Estar Social da Câmara de Niterói, presidida pelo Vereador e líder da bancada do PSOL, Paulo Eduardo Gomes, se reuniu virtualmente na tarde desta quarta-feira (24/3) com o Comitê Técnico Científico de Niterói, formado por pesquisadores, professores e cientistas da UFF, UFRJ e FIOCRUZ. O assunto principal na pauta foi o aumento expressivo no indicador-síntese da cidade, que passou de 9,13 para 10,25 em apenas quatro dias (de 18/3 a 22/3).


Rômulo Paes de Souza, da Fiocruz / Reprodução

Embora tenha elogiado de forma geral as ações da prefeitura na condução da pandemia, o vereador Paulo Eduardo Gomes questionou mais uma vez a falta de divulgação de dados diários sobre a Covid-19 no município, especialmente em relação à disponibilidade de leitos de UTI. E também criticou o fato de o município não ter adotado antes regras mais rígidas de isolamento social. Pouco antes da reunião, ele escreveu em suas redes sociais.


"Infelizmente, como não há até hoje a possibilidade de acesso aos dados diários. Não temos como saber se de fato esse índice deu um salto dentro destes quatro dias, ou se haviam indicadores que não estavam sendo adequadamente colocados no gráfico semanal até então. Uma das hipóteses que tem sido questionada por nós há meses é, por exemplo, com relação à quantidade de leitos de UTI existentes na cidade. Sobre este ponto, nunca concordamos que o Hospital Oceânico aparecesse nos gráficos como se disponibilizasse 140 leitos de UTI, já que sabemos muitos destes leitos são, na verdade, de enfermaria", afirmou.


"Este é apenas um dos exemplos de um indicador que certamente poderia estar ajudando a 'manter' o Município na Bandeira Amarelo 2 por mais tempo do que de fato deveria", complementou.


Outra crítica foi em relação à interrupção dos trabalhos do Comitê Técnico Científico, no período entre 2 de dezembro de 2020 a 27 de fevereiro de 2021.


"Ressaltamos que as decisões mais equivocadas do último período foram tomadas justamente enquanto a Prefeitura se manteve sem Comitê Técnico Científico, que foi reconvocado após a repercussão de nossas denúncias e cobranças públicas acerca desta necessidade. Este é um dos motivos que nos levaram a convocar essa reunião emergencial, para que eles continuem a ajudar de fato a cidade na adoção de medidas necessárias para a proteção da vida", disse ele.


O epidemiologista Rômulo Paes de Souza, da FIOCRUZ, integrante do Comitê, explica que essa interrupção ocorreu em outros municípios em razão da troca de governo após as eleições.


"Não me cabe falar sobre a interrupção do comitê de Niterói, mas gostaria de ressaltar que ele funciona muito bem e tem diálogo positivo e aberto com a prefeitura. Em relação à questão das estatísticas e saltos na hospitalização, tem acontecido em vários lugares do país. Construímos várias hipóteses, mas não é simples. Pode ser invasão de casos, pois às vezes é difícil verificar a procedência dos pacientes, que vêm de outros lugares e informam o endereço de um parente. E tem a questão da variante P1 de alto contágio. Em contextos de crise, esses saltos nos indicadores são comuns. Em Juiz de Fora aconteceu também", exemplificou.


Rômulo Paes de Souza elogiou o apoio da Câmara de Niterói no combate à Covid-19, não apenas pelo "contraponto crítico", mas por apresentar alternativas.


"Gostaria de lembrar que não é fácil organizar a gestão municipal em contexto de crise. É um desafio. Sempre teremos modelos imperfeitos. Nós temos apoio da Câmara em Niterói e isso é importante. Há cidades em que o legislativo se coloca contrário às medidas de mais rigor", lembrou ele.


Paulo Eduardo Gomes considerou equivocada a decisão de volta às aulas presenciais decretada pelo prefeito no início deste mês, e elogiou a posição do prefeito de voltar atrás no decreto publicado nesta terça-feira (24/3), com regras mais rígidas de distanciamento social.


"Recebemos notícias do aumento de casos de Covid-19 em crianças aqui na cidade, depois que as aulas presenciais voltaram. Nós, inclusive denunciamos que havia aglomeração na porta das escolas particulares nos horários de entrada e saída. São essas pressões econômicas que nem sempre são enfrentadas", comentou.




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